A trajetória de Lia de Itamaracá vai ganhar um novo capítulo nas telas. Aos 82 anos, a artista será tema de “Maria Madalena – Lia de Itamaracá”, série audiovisual inédita que pretende reconstruir sua história a partir de um ponto menos conhecido do público: a vida antes da consagração artística.
Com seis episódios de 23 minutos, a produção mistura documentário e ficção para contar a trajetória de Maria Madalena Correia do Nascimento, nome de batismo da artista que transformou a ciranda em referência da cultura popular brasileira.
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Mais do que uma narrativa sobre uma artista conhecida nacionalmente, a proposta busca recuperar memórias que antecedem os palcos, os discos e os títulos recebidos ao longo de décadas, registrar aquilo que ela chama de “a Lia antes da Lia”.
O foco da produção é voltado para a infância, a vida na ilha, as experiências ligadas ao território e os atravessamentos de raça, classe e pertencimento que marcaram sua formação.
“Eu sempre soube que seria artista. O povo ria de mim quando eu dizia isso ainda menina, porque naquele tempo uma mulher preta, pobre e da Ilha sonhar isso tudo parecia impossível. Mas eu nunca deixei de acreditar na minha voz, na minha ciranda e na minha história”, relembra Lia em material de divulgação.
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Estrutura narrativa e elenco familiar
A estrutura narrativa da série mistura relatos íntimos da artista, encenações ficcionais com atores, imagens de arquivo e performances musicais conduzidas pela própria Lia. Cada episódio será guiado por uma música, uma lembrança e um espaço simbólico da Ilha de Itamaracá.
A sobrinha Maria Salete, que carrega o apelido de “Preta”, e sua filha Pietra Victória, de 3 anos, sobrinha-neta de Lia, farão os papéis da artista na infância e no começo da vida adulta e artística. A cirandeira escolheu as duas atrizes para interpretá-la.
“Preta” já interpretou sua avó e mãe de Lia, Dona Matilde, no curta “Dorme Pretinho” (2024), baseado na música da cirandeira. O filme circulou por mais de 30 festivais de cinema e conquistou premiações, como melhor trilha no 15º Festival de Triunfo (Pernambuco) e melhor filme no 5º Festival de Cinema Negro em Ação (Rio Grande do Sul).

Seis décadas de carreira
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Lia lançou quatro álbuns. Ela se tornou Patrimônio Vivo da Cultura Pernambucana e recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco. Instituições no Brasil e no exterior a homenagearam.
Sua trajetória também dialoga com o cinema. Lia participou de produções de nomes como Tizuka Yamasaki, Lírio Ferreira e Kleber Mendonça Filho, em “Bacurau” e “Recife Frio”.
Aos 82 anos, Lia segue em movimento. Recentemente, a cirandeira lançou o quinto disco de sua carreira em parceria com a cantora baiana Daúde. Intitulado “Pelos Olhos do Mar“, o trabalho chegou às plataformas de streaming pelo SeloSesc.
O repertório do material atravessa diferentes sonoridades, aproximando a cultura popular pernambucana de elementos do bolero, dub e linguagens urbanas contemporâneas.
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