PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

‘Uma mulher preta, pobre e da Ilha sonhar parecia impossível’, diz Lia de Itamaracá sobre série biográfica

Produção audiovisual sobre a maior cirandeira do Brasil revisita a trajetória da artista antes do reconhecimento nacional e transforma memória, território e cultura popular em narrativa
Bastidores da série biográfica de Lia de Itamaracá.

Bastidores da série biográfica de Lia de Itamaracá.

— Ytallo Barreto/Divulgação

24 de maio de 2026

A trajetória de Lia de Itamaracá vai ganhar um novo capítulo nas telas. Aos 82 anos, a artista será tema de “Maria Madalena – Lia de Itamaracá”, série audiovisual inédita que pretende reconstruir sua história a partir de um ponto menos conhecido do público: a vida antes da consagração artística. 

Com seis episódios de 23 minutos, a produção mistura documentário e ficção para contar a trajetória de Maria Madalena Correia do Nascimento, nome de batismo da artista que transformou a ciranda em referência da cultura popular brasileira.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Mais do que uma narrativa sobre uma artista conhecida nacionalmente, a proposta busca recuperar memórias que antecedem os palcos, os discos e os títulos recebidos ao longo de décadas, registrar aquilo que ela chama de “a Lia antes da Lia”.

O foco da produção é voltado para a infância, a vida na ilha, as experiências ligadas ao território e os atravessamentos de raça, classe e pertencimento que marcaram sua formação.

“Eu sempre soube que seria artista. O povo ria de mim quando eu dizia isso ainda menina, porque naquele tempo uma mulher preta, pobre e da Ilha sonhar isso tudo parecia impossível. Mas eu nunca deixei de acreditar na minha voz, na minha ciranda e na minha história”, relembra Lia em material de divulgação.

Leia mais: Ciranda nordestina conquista título de Patrimônio Imaterial do Brasil

Estrutura narrativa e elenco familiar

A estrutura narrativa da série mistura relatos íntimos da artista, encenações ficcionais com atores, imagens de arquivo e performances musicais conduzidas pela própria Lia. Cada episódio será guiado por uma música, uma lembrança e um espaço simbólico da Ilha de Itamaracá.

A sobrinha Maria Salete, que carrega o apelido de “Preta”, e sua filha Pietra Victória, de 3 anos, sobrinha-neta de Lia, farão os papéis da artista na infância e no começo da vida adulta e artística. A cirandeira escolheu as duas atrizes para interpretá-la.

“Preta” já interpretou sua avó e mãe de Lia, Dona Matilde, no curta “Dorme Pretinho” (2024), baseado na música da cirandeira. O filme circulou por mais de 30 festivais de cinema e conquistou premiações, como melhor trilha no 15º Festival de Triunfo (Pernambuco) e melhor filme no 5º Festival de Cinema Negro em Ação (Rio Grande do Sul).

As gravações do episódio piloto começaram na praia de Jaguaribe, em Itamaracá, litoral de Pernambuco. Foto: Ytallo Barreto/Divulgação

Seis décadas de carreira

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Lia lançou quatro álbuns. Ela se tornou Patrimônio Vivo da Cultura Pernambucana e recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco. Instituições no Brasil e no exterior a homenagearam.

Sua trajetória também dialoga com o cinema. Lia participou de produções de nomes como Tizuka Yamasaki, Lírio Ferreira e Kleber Mendonça Filho, em “Bacurau” e “Recife Frio”. 

Aos 82 anos, Lia segue em movimento. Recentemente, a cirandeira lançou o quinto disco de sua carreira em parceria com a cantora baiana Daúde. Intitulado “Pelos Olhos do Mar“, o trabalho chegou às plataformas de streaming pelo SeloSesc. 

O repertório do material atravessa diferentes sonoridades, aproximando a cultura popular pernambucana de elementos do bolero, dub e linguagens urbanas contemporâneas.


Leia mais: Maracatu Rural, Maracatu Nação e Ciranda se tornam Patrimônio Imaterial em Recife

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano