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‘Malês’ vence júri popular no 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris

Longa sobre a Revolta dos Malês, maior levante de negros escravizados da história do Brasil, conquistou Troféu Jangada de Melhor Filme
O ator e diretor Antônio Pitanga em cena do filme "Malês".

O ator e diretor Antônio Pitanga em cena do filme "Malês".

— Vantoen Pereira Júnior/Divulgação

18 de abril de 2026

O 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris consagrou “Malês”, longa-metragem dirigido por Antônio Pitanga, como o grande vencedor do Troféu Jangada de Melhor Filme pelo júri popular. 

O Prêmio do Júri Jovem, concedido por estudantes parisienses que participaram das sessões escolares, foi para “Tudo que Aprendemos Juntos”, de Sérgio Machado.

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Lançado no Brasil em 2025, “Malês” marcou o retorno de Antônio Pitanga à direção 46 anos após seu primeiro longa, “Na Boca do Mundo” (1978). O filme foi rodado em Cachoeira e Salvador, na Bahia, e em Maricá, no Rio de Janeiro. A produção é de Flavio R. Tambellini.

A obra retrata a Revolta dos Malês, o maior levante organizado por pessoas escravizadas da história do Brasil, ocorrido em Salvador em 1835. A narrativa acompanha as condições de vida da população negra no século XIX e o enfrentamento ao racismo, à pobreza e à intolerância religiosa.

O elenco inclui Rocco e Camila Pitanga, Bukassa Kabengele, Samira Carvalho, Rodrigo de Odé, Heraldo de Deus, Wilson Rabelo, Edvana Carvalho, Indira Nascimento, Thiago Justino e Patrícia Pillar, além do próprio diretor. A direção de fotografia é de Pedro Farkas.

Leia mais: ‘Malês’ tem pré-estreia gratuita e bate-papo com Antônio Pitanga na periferia de São Paulo

O levante sob uma outra perspectiva

Em declaração, Pitanga afirmou que o filme apresenta uma narrativa sobre o levante a partir de outra perspectiva histórica. Ele destacou que a obra busca ampliar o conhecimento sobre o episódio entre o público.

“Acho que esse é um filme muito representativo para os tempos atuais, porque é sobre retratar o ponto de vista africano, não português, contando a história de um viés diferente do que estamos acostumados. É um filme que fala sobre negritude, mas é, ao mesmo tempo, um filme para todos conhecerem a história do Brasil.”

O diretor destacou que “Malês” apresenta uma visão diferente daquela registrada nos livros de história tradicionais. “Pouco se sabe sobre os malês através dos livros de história mais tradicionais.”

O ator e diretor Lázaro Ramos esteve em Paris para receber, em nome dele e de Taís Araujo, o prêmio dedicado aos homenageados da edição. Pela primeira vez, a honraria foi concedida a um casal. A cerimônia foi conduzida pela atriz e diretora franco-senegalesa Aïssa Maïga.

Leia mais: Revolta dos Malês: 190 anos do maior levante urbano contra a escravização no Brasil

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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