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Moradores de Manguinhos e Maré lançam livro contra narrativas de dor e violência nas favelas

"É necessário o coração em chamas" reúne 14 contos escritos por autores periféricos durante Residência Literária Favelofágica; lançamento ocorreu no Museu da Maré
Festa de lançamento da coletânea de contos escritos por moradores de Manguinhos e da Maré, no Rio de Janeiro.

Festa de lançamento da coletânea de contos escritos por moradores de Manguinhos e da Maré, no Rio de Janeiro.

— Reprodução/Flávio Araujo

7 de abril de 2026

O Museu da Maré, na cidade do Rio de Janeiro. recebeu, na última semana, o lançamento do livro “É necessário o coração em chamas – Contos de Manguinhos e da Maré”. A publicação reúne 14 contos escritos por moradoras e moradores dos dois territórios, a partir de uma articulação do Fórum Favela Universidade, com apoio da Fiocruz.

A celebração contou com a presença dos autores e autoras da comunidade, que compartilharam o processo de construção da obra. O livro nasceu da IV Residência Literária Favelofágica, iniciativa do selo editorial do Ecomuseu de Manguinhos, o Bando Editorial Favelofágico. 

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O programa promove formação e criação literária para escritores periféricos no Complexo de Manguinhos, no Rio de Janeiro, desde 2015.

A proposta se vincula ao Grupo de Trabalho Lutas, Letras e Memória, ligado ao Fórum Favela Universidade. O projeto contou com apoio do Tecendo Diálogos, sob gestão da Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e do Museu da Vida Fiocruz.

Leia mais: Mais de 70% dos moradores das periferias do Rio consomem literatura, diz pesquisa

Escrita para além do testemunho

Vanessa Almeida, coordenadora do Ecomuseu de Manguinhos da RedeCCAP e ponto focal do grupo de trabalho, destacou a importância da iniciativa para ampliar o acesso à produção literária.

“A gente ainda vive sob o predomínio de uma cultura letrada. Por isso, ter um espaço para que escritoras e escritores de favelas e periferias contem suas histórias é muito importante”, afirmou em divulgação da Fiocruz.

A metodologia favelofágica, segundo ela, parte do princípio de que qualquer tipo de história pode ser contada por autores desses territórios, não apenas narrativas de testemunho sobre vivências marcadas por desigualdades sociais. 

“Enquanto pessoa negra, você ocupa outros papéis e vive outros momentos que não se resumem à dor. Por isso, é importante ressaltar isso”, completou.

O próximo lançamento do livro ocorrerá no território de Manguinhos. Mais informações serão divulgadas no Instagram do Fórum Favela Universidade.


Leia mais:Maria Firmina dos Reis, o farol das mulheres negras na literatura

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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