A cinebiografia “Michael” chega aos cinemas do Brasil nesta quinta-feira (23) sob debate sobre escolhas narrativas e críticas ao recorte da história de Michael Jackson. O filme, dirigido por Antoine Fuqua, apresenta a trajetória do artista desde a infância no grupo Jackson 5 até o auge da carreira solo, mas exclui episódios centrais ligados a acusações de abuso sexual.
A abertura do filme situaria o espectador em 1993, uma década após o lançamento de “Thriller”. A cena mostraria o cantor diante do espelho, com luzes de viaturas policiais refletidas ao fundo, enquanto investigadores chegavam ao Rancho Neverland para cumprir mandados de busca.
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Fontes com conhecimento da produção revelaram ao site Variety que o terceiro ato do filme, originalmente dedicado ao escândalo, foi inteiramente descartado. O material removido incluía qualquer menção às acusações de abuso sexual.
A alteração ocorreu após advogados do espólio de Michael Jackson, que atuou como produtor do filme, identificarem uma cláusula no acordo de indenização com um dos acusadores, Jordan Chandler. O termo proibia a representação ou menção ao nome do acusado em qualquer produção audiovisual.
Final reformulado exalta auge artístico
O novo final abandonou o momento mais controverso da carreira de Jackson. A última cena do filme ocorre durante a turnê “Bad”. O cantor se prepara para mais uma performance eletrizante nos palcos.
De acordo com o veículo Variety, a versão final se concentra em sequências musicais e se distancia do comportamento pessoal às vezes excêntrico do astro. O filme mantém uma cena em que Jackson compra brinquedos para crianças em um hospital.
A tensão dramática da versão final vem da relação do cantor com o pai, Joe Jackson. O patriarca não queria que a carreira solo do filho prejudicasse o Jackson 5.
O longa também aborda a recuperação de Jackson após queimaduras no couro cabeludo sofridas em um acidente de pirotecnia durante a gravação de um comercial da Pepsi em 1984. O período inclui o início do abuso de analgésicos pelo cantor.
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Recepção crítica e reação da família
A recepção ao filme apresenta índices baixos em agregadores de crítica. No Rotten Tomatoes, o filme registra 27% de aprovação. No Metacritic, soma 38 pontos, indicadores de avaliação negativa. Veículos apontam problemas de construção narrativa e ausência de temas centrais da trajetória do cantor.
Em resposta, Taj Jackson criticou a cobertura da imprensa em publicações nas redes sociais.
“A mídia não controla mais a narrativa de quem Michael Jackson realmente era. O público vai assistir a este filme e decidirá por si mesmo. E vocês não conseguem lidar com isso”, escreveu no X. “Mal posso esperar para ver alguns críticos engolirem suas palavras”, acrescentou.
A produção conta com participação do espólio do cantor, que também assumiu custos adicionais após as mudanças no roteiro. O envolvimento direto reforça o controle sobre a abordagem adotada na obra.
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