A Galeria Olido recebe de 20 a 25 de janeiro a 2ª Mostra de Compositores do Bendito Samba Clube. O projeto, idealizado pelo sambista Marcus Marmello, tem como objetivo oferecer visibilidade e reconhecimento a compositores, em especial àqueles que produzem obras autorais e inéditas fora do circuito comercial.
“O compositor de samba ainda enfrenta grandes obstáculos para ocupar espaços de visibilidade”, explicou Marmello em nota à imprensa. O nome do projeto homenageia as Irmandades de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, instituições históricas de resistência e preservação da cultura afro-brasileira.
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A mostra apresenta oito espetáculos na Sala Olido, no centro de São Paulo, cada um dedicado à obra de dois compositores. A curadoria combina jovens e experientes intérpretes da cena paulistana. Uma homenagem especial será feita ao cantor e compositor Silvio Modesto, de 92 anos, que contribui para o samba paulistano há mais de cinco décadas.
A abertura ocorre no dia 20 de janeiro, às 19h30, com Gabriella Cantto cantando Pablo Souza e Nani Gessler cantando Martinho Jorge. No dia 21, no mesmo horário, se apresentam Monize Teix cantando Marcos Eiras e Mano Jota cantando Edu Batata.
O dia 22 traz Marcelo Henrique cantando Marquinhos Jaca e Delei Martins cantando Chapinha da Vela. No dia 23, sobem ao palco Maurinho de Jesus cantando Silvio Modesto e Tito Amorim cantando Marco Antonio da Nenê de Vila Matilde. Os dias 24 e 25 têm reapresentações desses espetáculos, sempre às 14h e às 16h, para ampliar o acesso do público.
Mostra inclui roda de samba e palestra sobre a história do gênero
Além dos concertos, a programação prevê atividades paralelas. No dia 21 de janeiro, às 18h, acontece uma roda de samba de compositores com músicas inéditas, dentro do projeto “De Candeia a Guineto”.
Nos dias 22 e 23, o pesquisador e compositor Famelli Júnior (Júnior do Peruche) ministra a palestra “Samba Rural e Urbano de São Paulo”. Famelli Júnior é reconhecido por sua coleção pessoal com mais de 600 mil itens sobre a história do samba na cidade.
Marcus Marmello destacou o significado de realizar a mostra na Galeria Olido, um equipamento público no centro histórico da cidade.
“O centro de São Paulo sempre foi espaço de circulação de culturas e expressões populares”, refletiu. “Ao ocupar a Sala Olido, o projeto reafirma o direito do samba de estar no centro, não apenas geograficamente, mas também no debate cultural da cidade. É um gesto de reconhecimento do samba como patrimônio imaterial.” Para o produtor, o samba deve circular em espaços públicos, acessíveis e democráticos.