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Mulheres negras lideram avanço no consumo de livros no Brasil, aponta pesquisa

Pesquisa da Câmara Brasileira do Livro revela que 30% dos leitores são mulheres pretas e pardas; classe C concentra o maior contingente de compradores
Mulher negra sentada na poltrona enquanto lê um livro.

Mulher negra sentada na poltrona enquanto lê um livro.

— Reprodução/Freepik

2 de abril de 2026

O consumo de livros cresceu no Brasil em 2025 e revela uma mudança no perfil de quem compra. Dados da pesquisa Panorama do Consumo de Livros, realizada pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, indicam que 18% da população adulta adquiriu ao menos um livro nos últimos 12 meses. 

O índice representa aumento de dois pontos percentuais em relação a 2024 e inclui cerca de 3 milhões de novos consumidores.

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Entre os dados, o protagonismo das mulheres pretas e pardas se destaca. Esse grupo responde por 30% do total de consumidores de livros no país e representa metade das mulheres que compram livros. Na prática, trata-se do principal segmento consumidor, com forte presença entre pessoas da classe C.


A pesquisa aponta que pessoas pretas e pardas, somadas, representam 49% do total de consumidores de livros no Brasil. Dentro desse universo, as mulheres concentram a maior participação.

O recorte por gênero e raça indica que mulheres negras formam hoje o maior grupo consumidor do mercado editorial brasileiro. O dado rompe uma lógica histórica sobre o perfil do leitor e reposiciona o foco de políticas de incentivo e estratégias do setor.

Segundo Mariana Bueno, coordenadora de pesquisas econômicas e setoriais da Nielsen BookData, os resultados exigem uma leitura atenta. 

“Os dados permitem que o setor desenvolva ações direcionadas a quem de fato consome, mas também colocam desafios, como entender a baixa participação masculina”, afirma em nota de divulgação.

Leia mais: Mulheres jovens lideram hábito de leitura nas periferias de São Paulo

A pesquisa ouviu 16 mil pessoas com mais de 18 anos em todas as regiões do país e em diferentes faixas de renda. O levantamento ocorreu entre 13 e 19 de outubro de 2025, com margem de erro de 0,8% e nível de confiança de 95%.

Mercado diversificado e novos hábitos

O levantamento também aponta mudanças nos formatos de consumo. Na última compra de livro impresso, 53% dos consumidores optaram pelo ambiente on-line, enquanto 47% compraram em lojas físicas.

Apesar da expansão digital, a livraria mantém relevância. Mais da metade dos consumidores considera o espaço um local de circulação cultural, enquanto 53% o associam a momentos de permanência e escolha.

Outro dado relevante envolve o crescimento dos livros de colorir. Em 2025, 7,1% da população adulta adquiriu ao menos um exemplar, o que representa cerca de 11 milhões de pessoas. Esse segmento corresponde a 40% dos consumidores de livros.


Leia mais:‘A literatura é espelho e janela’: reconhecer-se nos livros infantis transforma a infância de crianças negras

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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