A trajetória de Elza Soares e as múltiplas facetas apresentadas pela cantora ao longo de sua carreira são o ponto de partida do musical “Elza”, que tem curta temporada no Rio de Janeiro, com apresentações até 20 de julho no Teatro Claro Mais.
Se estivesse viva, a cantora teria completado 95 anos no último dia 23 de junho. Para homenagear sua memória, na reestreia do espetáculo – apresentado pela primeira vez em 2018 – Ágata Matos, Janamô, Josy.Anne, Júlia Sanchez, Julia Tizumba, Sara Hana e a atriz convidada Naruna Costa sobem ao palco pela primeira vez depois de sua passagem, em 2022.
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Em cena, as atrizes se dividem para dar vida a Elza Soares em suas mais diversas fases e interpretam outros personagens, como os familiares e amigos da cantora, além de personalidades marcantes, como Ary Barroso (1903-1964), apresentador do programa onde se apresentou pela primeira vez, e Garrincha (1933-1983), que protagonizou com ela um notório relacionamento.

Com texto de Vinícius Calderoni e direção de Duda Maia, o espetáculo idealizado por Andréa Alves tem a direção musical de Larissa Luz. Além disso, o maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilezz, foi o responsável pelos novos arranjos para clássicos do repertório da cantora.
Ainda que muitos dos conhecidos episódios da vida da homenageada estejam no palco, a estrutura do musical foge do formato convencional das biografias musicais. Se os personagens podem ser vividos por várias atrizes ao mesmo tempo, a estrutura do texto também não é necessariamente cronológica. Da mesma forma que músicas recentes, como “A Mulher do Fim do Mundo”, a emblemática “A Carne” e “Maria da Vila Matilde” se embaralham aos sucessos das mais de seis décadas de carreira da cantora, como “Se Acaso Você Chegasse”, “Lama”, “Malandro”, “Lata D’Água” e “Cadeira Vazia”.
O espetáculo foi desenvolvido ao longo de um período em que Elza se encontrava no auge de uma carreira marcada por reviravoltas e renascimentos. Ao lançar seus últimos dois discos, “A Mulher do Fim do Mundo” (2015) e “Deus é Mulher” (2018), a cantora não somente ampliou ainda mais seu repertório e sua base de fãs, como conquistou, mais uma vez, a crítica internacional, e se consolidou como uma das principais vozes da mulher negra brasileira.
Vinícius Calderoni, autor do texto, chama a atenção para a coletividade presente em todo o processo de criação da montagem. Após ter escrito as primeiras páginas, ele começou a frequentar os ensaios e estabeleceu um rico intercâmbio com Duda Maia e as sete atrizes.
“Hoje poderia dizer que elas são coautoras e colaboradoras do texto. São sete atrizes negras e múltiplas, como a Elza é. Diante da responsabilidade enorme, eu estabeleci limites de fala para mim, por exemplo, em relação a alguns temas. Limitei a minha voz e disse que não escreveria nada, queria os relatos delas e as opiniões. Pedi a colaboração delas, das experiências vividas por uma mulher negra. Do mesmo jeito que a Duda propôs muitas coisas, as atrizes também tiveram este espaço”, conta o dramaturgo.
Tal processo colaborativo se estendeu para a música, com a participação ativa das atrizes e das musicistas nos ensaios com os diretores musicais, e o maestro Letieres Leite, que liderou algumas oficinas com o grupo no período dos ensaios. O processo gerou ainda duas canções inéditas que estão na peça: “Ogum”, de Pedro Luís, e “Rap da Vila Vintém”, de Larissa Luz.
Serviço
Quando: até 20 de julho de 2025
Quintas e sextas, às 20h; sábados às 16h e 20h; e domingos, às 18h
Onde: Teatro Claro Mais – Rua Siqueira Campos, 143 – 2º Piso – Copacabana, Rio de Janeiro
Duração: 150 minutos
Classificação: 14 anos
Ingressos disponíveis em Uhuu.com.