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Paulinho do Reco lança samba em homenagem a Margareth Menezes após décadas sem gravar obra autoral

Compositor de "Negrume da Noite", hino do Ilê Aiyê, retoma carreira com "Fada Madrinha" no EP Cabaça Sonora 2, que reúne artistas negros e indígenas de Salvador
Paulinho do Reco sorrindo.

Paulinho do Reco sorrindo.

— Reprodução/Redes Sociais

8 de março de 2026

O cantor e compositor baiano Paulinho do Reco lançou o samba “Fada Madrinha“, em homenagem à cantora e ministra da Cultura, Margareth Menezes. A faixa integra o EP “Cabaça Sonora 2”, projeto que reúne cinco artistas do Centro Antigo de Salvador. O lançamento marca a retomada da carreira musical do compositor, que passou 38 anos sem gravar um samba autoral.

A música foi composta há alguns anos como agradecimento a Margareth Menezes por ter gravado “Negrume da Noite”, hino do Bloco Afro Ilê Aiyê e uma das canções de maior sucesso na Bahia e no Brasil. A canção é de autoria de Paulinho do Reco em parceria com Cuiúba.

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Na década de 1980, Margareth Menezes se tornou a primeira artista fora do circuito de blocos afro a gravar “Negrume da Noite”. O registro deu visibilidade à composição e aos seus autores. Na ocasião, Paulinho do Reco compôs um samba em homenagem à cantora, que permaneceu inédito por quase quatro décadas.

A letra da canção menciona nomes como Cartola e Elizeth Cardoso, mas a dedicatória é dirigida a Margareth Menezes.

Carreira de Paulinho do Reco

Paulinho do Reco, nome artístico de Paulino de Oliveira Filho, tem 76 anos e é natural do bairro do Tororó, em Salvador. Além de compositor e intérprete, atua como ritmista e artista plástico. Durante mais de 30 anos, trabalhou como servidor público estadual, sem depender exclusivamente da música para sustento financeiro.

Sua trajetória no samba inclui passagens por agremiações como a escola Filhos do Tororó, o Bloco Apaxes do Tororó e o grupo Secos e Molhados. Na década de 1970, integrou o conjunto Independentes do Samba, posteriormente renomeado Dependentes do Samba, ao lado de nomes como Jorginho Comancheiro.

Como instrumentista, desenvolveu estilo próprio de tocar reco-reco, instrumento que lhe rendeu o apelido e que executa de forma percussiva. O humorista Mussum, também conhecido por tocar o instrumento, elogiou publicamente sua técnica.

“Negrume da Noite”se tornou um dos principais hinos do Ilê Aiyê e foi regravada nos últimos anos por artistas como Daniela Mercury e Vânia Abreu. A canção integrou a trilha sonora do filme “Ó paí, Ó – 2”, produção estrelada e dirigida por Lázaro Ramos.

O registro de “Fada Madrinha” ocorreu por meio do Cabaça Sonora, projeto que seleciona artistas negros e indígenas para gravação profissional e lançamento estruturado. A iniciativa é vinculada ao selo musical Cabaça Sonora e à Coliga Produções. A direção musical da faixa ficou a cargo de Felipe Guedes.

O projeto tem como propósito fomentar a produção fonográfica baiana a partir do protagonismo negro e indígena, garantindo condições técnicas e estratégicas para inserção no mercado.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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