O cantor e compositor baiano Paulinho do Reco lançou o samba “Fada Madrinha“, em homenagem à cantora e ministra da Cultura, Margareth Menezes. A faixa integra o EP “Cabaça Sonora 2”, projeto que reúne cinco artistas do Centro Antigo de Salvador. O lançamento marca a retomada da carreira musical do compositor, que passou 38 anos sem gravar um samba autoral.
A música foi composta há alguns anos como agradecimento a Margareth Menezes por ter gravado “Negrume da Noite”, hino do Bloco Afro Ilê Aiyê e uma das canções de maior sucesso na Bahia e no Brasil. A canção é de autoria de Paulinho do Reco em parceria com Cuiúba.
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Na década de 1980, Margareth Menezes se tornou a primeira artista fora do circuito de blocos afro a gravar “Negrume da Noite”. O registro deu visibilidade à composição e aos seus autores. Na ocasião, Paulinho do Reco compôs um samba em homenagem à cantora, que permaneceu inédito por quase quatro décadas.
A letra da canção menciona nomes como Cartola e Elizeth Cardoso, mas a dedicatória é dirigida a Margareth Menezes.
Carreira de Paulinho do Reco
Paulinho do Reco, nome artístico de Paulino de Oliveira Filho, tem 76 anos e é natural do bairro do Tororó, em Salvador. Além de compositor e intérprete, atua como ritmista e artista plástico. Durante mais de 30 anos, trabalhou como servidor público estadual, sem depender exclusivamente da música para sustento financeiro.
Sua trajetória no samba inclui passagens por agremiações como a escola Filhos do Tororó, o Bloco Apaxes do Tororó e o grupo Secos e Molhados. Na década de 1970, integrou o conjunto Independentes do Samba, posteriormente renomeado Dependentes do Samba, ao lado de nomes como Jorginho Comancheiro.
Como instrumentista, desenvolveu estilo próprio de tocar reco-reco, instrumento que lhe rendeu o apelido e que executa de forma percussiva. O humorista Mussum, também conhecido por tocar o instrumento, elogiou publicamente sua técnica.
“Negrume da Noite”se tornou um dos principais hinos do Ilê Aiyê e foi regravada nos últimos anos por artistas como Daniela Mercury e Vânia Abreu. A canção integrou a trilha sonora do filme “Ó paí, Ó – 2”, produção estrelada e dirigida por Lázaro Ramos.
O registro de “Fada Madrinha” ocorreu por meio do Cabaça Sonora, projeto que seleciona artistas negros e indígenas para gravação profissional e lançamento estruturado. A iniciativa é vinculada ao selo musical Cabaça Sonora e à Coliga Produções. A direção musical da faixa ficou a cargo de Felipe Guedes.
O projeto tem como propósito fomentar a produção fonográfica baiana a partir do protagonismo negro e indígena, garantindo condições técnicas e estratégicas para inserção no mercado.