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Retrospectiva 2025: relembre álbuns de artistas negros que marcaram a indústria musical ao longo do ano

Da celebração do forró à densidade do hip-hop, artistas apresentaram obras premiadas e de grande impacto crítico que redefiniram gêneros brasileiros
Capa do novo álbum do rapper BK'.

Capa do novo álbum do rapper BK'.

— Divulgação/Bruna Sussekind

31 de dezembro de 2025

Artistas negros lançaram alguns dos trabalhos mais celebrados e influentes de 2025 na música brasileira. Dos ritmos regionais renovados às experimentações urbanas, estes álbuns conquistaram prêmios, aclamação da crítica e engajamento do público.

Com uma safra que transita entre a ancestralidade e o futurismo, artistas de diversos estados apresentaram obras que refletem suas vivências. Mais do que entretenimento, estes trabalhos oferecem leituras sobre identidade, resistência e a complexidade das relações sociais no Brasil contemporâneo.

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A Alma Preta preparou uma seleção de trabalhos que se destacaram em 2025 e que também merecem seguir na playlist dos leitores em 2026. Os discos reunidos a seguir não pretendem formar um ranking nem encerrar o debate, mas apontar trabalhos que marcaram o ano por alcance, repercussão, prêmios e propostas musicais. Conheça dez desses lançamentos!

BK — Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer

O sucessor do “Icarus” aborda a trajetória do rapper, além de relações pessoais e incertezas ligadas ao futuro. As faixas utilizam samples de gêneros da música brasileira, como pagode, samba e MPB. O disco rendeu indicações ao Grammy Latino de 2025, incluindo Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa, com “Só Quero Ver”, parceria com Evinha.

Gaby Amarantos mostra o que há de melhor no tecnobrega com o Rock Doido. Foto: Divulgação/Deck

Gaby Amarantos — Rock Doido

Um dos projetos mais ambiciosos do ano, o quinto álbum da artista paraense surpreendeu e celebrou a estética das festas de aparelhagem. Lançado com um curta-metragem e bem recebido pelo público, o trabalho inclui faixas que circularam com força nas plataformas digitais, como “Foguinho” e “Arrume-se Comigo”.

BaianaSystem — O Mundo Dá Voltas

Quinto álbum de estúdio da banda, o disco dá sequência ao percurso iniciado com O Futuro Não Demora (2019). O trabalho dialoga com temas ligados ao tempo, ao movimento e à experiência coletiva. Em 2025, venceu o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa.

Jadsa — big buraco

Gravado durante uma imersão de sete dias no Wolf Estúdio, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, o segundo álbum solo de Jadsa foi produzido em parceria com Antonio Neves. O trabalho, com letras impecáveis e arranjos cativantes, recebeu indicação ao Grammy Latino 2025 na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa.

Don L — CARO Vapor II: qual a forma de pagamento?

Considerado por muitos seu trabalho mais ambicioso, o quarto álbum solo do rapper é apontado pela crítica como uma reinvenção do rap nacional, com letras filosóficas e uma sonoridade que explora samba, baião e bossa-jazz.

Urias mostra amadurecimento musical em um álbum repleto de simbolismos. Foto: Reprodução/YouTube

Urias — CARRANCA

Com o “Carranca”,  Urias apresentou um projeto denso e simbólico, repleto de referências religiosas e afro-brasileiras, com questionamentos sobre identidade e resistência, consolidando-se como um dos nomes mais interessantes do pop contemporâneo.

Luedji Luna – Um Mar Pra Cada Um,

A artista encerra a trilogia iniciada em 2020 com um mergulho em sonoridades do jazz e neo-soul. O disco conta com colaborações de Liniker e da saxofonista britânica Nubya Garcia. A obra venceu na categoria de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro-Portuguesa Brasileira no Grammy Latino 2025.

Ebony – KM2

Lançado sem anúncio prévio, o álbum marca o retorno da rapper após dois anos do sucesso “Terapia”. Se a indústria é “traiçoeira com mulheres negras“, como disse a artista no WME Awards de 2025, Ebony mostra que isso não a impediu de lançar um álbum como o KM2: um material que exala sua coragem, boas rimas e de brinde nos entrega um sopro de criatividade e inovação para a cena do rap, ainda dominada por figuras masculinas.

João Gomes, Jota.pê e Mestrinho – Dominguinho

O encontro entre três artistas e estilos celebra a atmosfera dos dias de descanso por meio do forró. Com 12 faixas que misturam sucessos e composições inéditas, o projeto foi um dos maiores destaques do ano, entre eles o prêmio de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa no Grammy Latino 2025.

Nome já conhecido na cena, Stefanie presenteia o hip-hop com o seu primeiro trabalho solo. Foto: Reprodução/Thales Côrtes

Stefanie – BUNMI

Após duas décadas de colaborações em grupos de destaque, a rapper estreia em voo solo. O título, que significa “meu presente” em iorubá, é um presente da artista ao seu público com um material que revisita suas vivências traduzidas em rimas densas e uma produção de peso: Grou e Daniel Ganjaman, conhecidos pelos trabalhos com nomes consagrados como Criolo, Sabotage e os já citados na lista BaianaSystem.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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