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2ª Marcha das Mulheres Negras leva mais de 300 mil a Brasília e fortalece organização política por direitos

A diversidade e a amplitude da luta das mulheres negras estavam representadas nas ruas da Esplanada dos Ministérios. 
Marcha das Mulheres Negras na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 25 de novembro de 2025.

Marcha das Mulheres Negras na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 25 de novembro de 2025.

— Gabriel Albernás/Lamparina

26 de novembro de 2025

Mulheres negras trans e cis. Com 10, 17 e 83 anos. Do Maranhão ao Paraná. De mulheres do candomblé a evangélicas. Cientistas, assistentes sociais, jornalistas e quebradeiras. Profissionais do sexo, lideranças políticas e artistas. Brasileiras, uruguaias e congolesas. A diversidade de experiências de vida estava presente entre as mais de 300 mil pessoas que fizeram história na 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, nesta terça-feira (25), em Brasília.

Com o tema Bem Viver e Reparação Histórica, essa massa de mulheres negras marchou do Museu Nacional até a Esplanada dos Ministérios, nas ruas e em trios elétricos, com discursos, arte, faixas e palavras de ordem.

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Além de acesso a espaços de poder, uma das pautas mais citadas nos carros de som foi o violência contra jovens negros nas periferias. “Parem de nos matar” e “parem de matar nossos filhos” foram repetidas em falas de diversas lideranças no alto dos carros de som, em diferentes sotaques.

É o caso de Cintia Cruz, líder comunitária e presidente do movimento Revolução dos Baldinhos, referência na gestão comunitária de resíduos em Florianópolis (SC). “Minha luta é pela periferia, que hoje vem sofrendo não só o racismo ambiental como o extermínio da população preta”, compartilhou.

O longo dia de luta e celebração

O dia de marcha começou às 9h, com uma coletiva de imprensa com o Comitê Nacional, o Conselho Político e representantes dos Comitês Temáticos (LBTIs, Mulheres Negras com Deficiência, Justiça Climática, entre outros). Em seguida, ocorreu a cerimônia oficial de abertura, marcada pela presença da Irmandade da Boa Morte e a leitura pública do manifesto político da Marcha. 

“Nós estamos apresentando um conjunto de propostas para essa nação e queremos dizer que esse potencial de mobilização só existe porque nós somos as gestoras do impossível. Pedimos paz, pedimos equidade, pedimos respeito, respeito à dignidade das pessoas, respeito à dignidade das pessoas negras, em particular”, destacou Valdecir Nascimento, fundadora do Odara – Instituto da Mulher Negra, que também compõe a coordenação da Rede de Mulheres Negras do Nordeste e o Comitê Impulsor Nacional da Marcha.

Simultaneamente, o Congresso Nacional sediava uma Sessão Solene em homenagem à Marcha das Mulheres Negras, no Plenário Ulysses Guimarães. A sessão, presidida pela deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), também contou com as presenças da deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), das ministras Margareth Menezes, Macaé Evaristo, Anielle Franco e Márcia Lopes. Contamos tudo aqui.

Encontro com Fachin, do STF

Após o ato, uma comitiva de 12 representantes do Comitê Nacional da Marcha foi recebida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. A Marcha apresentou suas principais demandas institucionais, incluindo:

  • o acesso público a arquivos do Judiciário relacionados à escravidão;
  • a criação de protocolos específicos para monitorar processos envolvendo agentes de segurança pública;
  •  a celeridade em casos de violência contra mulheres negras e seus familiares;
  • e o reconhecimento formal do projeto político defendido pelas mulheres negras organizadas. 

Após ouvir as reivindicações, Fachin afirmou que o país não pode adiar mais a presença de mulheres negras nos espaços de maior poder da República. 

“Eu espero não sair enquanto não tenha pelo menos uma juíza negra. E isso que eu estou dizendo agora eu já disse. O Brasil precisa enfrentar essa dívida”, declarou. Segundo o critério de idade, Fachin deve sair em fevereiro de 2033.

Programação cultural

Ainda no fim da tarde começou a programação cultural, que se estendeu até as 23h. Luana Hansen abriu o palco com seu repertório marcado pela crítica social e contou com participação de Bia Ferreira.  

Em seguida, Prethaís deu continuidade à celebração, trazendo a força da música negra brasileira contemporânea. A apresentação de Célia Sampaio e Núbia emocionou o público ao mesclar ancestralidade do reggae e intensidade vocal. 

Na sequência, Ebony apresentou um show vibrante, conectando a Marcha às estéticas e narrativas das juventudes negras urbanas. 

O encerramento ficou por conta de Larissa Luz, que interpretou o jingle oficial da Marcha, “Mete marcha, negona, rumo ao infinito”, em um momento de catarse na Esplanada dos Ministérios.

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  • Camila Rodrigues da Silva

    Jornalista com mestrado em Economia e doutoranda em Demografia. Editora e repórter, com quase 20 anos de experiência em redações da grande imprensa e de veículos independentes de comunicação. Atuo na cobertura de direitos humanos desde 2012.

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