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Deputada grávida sofre ameaças de agressão: ‘Violência política atinge especialmente as mulheres negras’

Deputada grávida sofreu ataques racistas e ameaças de estupro na quarta-feira (22); a Alma Preta conversou com a parlamentar, que disse que ainda há uma longa luta pela frente contra grupos de ódio
Na imagem, Paula Nunes, mulher negra, gestante, que sofreu ameaças e ataques racistas

Foto: Alesp/Reprodução

23 de novembro de 2023

A codeputada estadual Paula Nunes, do mandato coletivo da Bancada Feminista do PSOL, em São Paulo, recebeu ameaça de agressão e estupro. A ameaça, de conteúdo racista e neofascista, foi feita através do e-mail da parlamentar, que está no oitavo mês de gestação.

Na avaliação da codeputada, é um absurdo a recorrência de ameaças e violência política contra parlamentares eleitas democraticamente. “É lamentável que parlamentares, especialmente mulheres negras, sigam sofrendo violência política no país, com ameaças como estas que recebi” afirmou Paula Nunes. “Esperamos que o caso seja investigado com seriedade e celeridade, porque é urgente que a polícia civil dos estados e o governo federal desmantelem grupos de ódio”, disse em nota à imprensa.

Em entrevista à Alma Preta, Nunes afirma que essa foi a primeira ameaça sofrida desde que assumiu o mandato e acredita que as motivações sejam relacionadas à sua atuação na Assembleia Legislativa, na defesa dos direitos humanos, contra o racismo e o genocídio da juventude negra.

“Infelizmente a violência política é uma realidade que atinge especialmente as mulheres negras do nosso país”, desabafa, denunciando que não será a primeira e nem a última parlamentar a sofrer ameaças de motivações políticas. Os conteúdos das mensagens não foram divulgados, por questão de segurança e orientação da delegacia.

Apesar dos ataques sofridos, a codeputada reforça seu compromisso na luta contra grupos que disseminam ódio contra políticos e a sociedade civil negra. “Por mais que tenhamos lutado muito para tirar a extrema-direita do governo, ainda temos uma longa tarefa pela frente, que é desmantelar completamente grupos de ódio que colocam em risco nossa integridade física e a nossa vida.”

A codeputada registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) como crime de violência política. “A denúncia pública desse caso, para mim, não é só uma denúncia pública para falar sobre o meu caso, mas é para escancarar o quanto, infelizmente, redes e grupos de ódio ainda existem no nosso país e precisam ser combatidos”, conclui. A assessoria da parlamentar informou ainda que a polícia está tomando as medidas cabíveis em relação ao caso.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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