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‘MC não é bandido’: audiência na Alerj debate a criminalização do funk

Evento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro reuniu artistas, parlamentares e ativistas em debate sobre políticas que buscam censurar o funk
Audiência Pública sobre a criminalização do funk na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na capital fluminense, no dia 4 de agosto.

Audiência Pública sobre a criminalização do funk na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na capital fluminense, no dia 4 de agosto.

— Divulgação/Deputada Dani Monteiro

5 de agosto de 2025

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) recebeu, na última segunda-feira (4), uma audiência pública que debateu o direito à produção artístico-cultural das comunidades periféricas, com foco na criminalização da cultura funk.

O evento foi realizado pela Comissão de1 Defesa dos Direitos Humanos e contou com a participação de parlamentares, produtores culturais, ativistas e artistas, como MC Smith, Borges, Chefin e MC Frank. Familiares do rapper Oruam, preso pela Polícia Civil em 22 de julho, também compareceram ao debate. 

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A audiência ocorreu em meio à tramitação de projetos de lei que visam criminalizar manifestações de funk nas escolas e em eventos realizados por órgãos públicos. Em maio, mais de 300 pessoas compareceram à audiência pública que também debateu propostas legislativas do gênero na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Almg). 

No Plenário da Alerj, a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ) destacou a necessidade de aprovar propostas legislativas que garantam a liberdade de expressão e a valorização da cultura periférica. 

A parlamentar destacou as prisões do MC Poze do Rodo e de Oruam e recordou que, em 2016, o DJ Rennan da Penha também foi preso em condições semelhantes aos demais artistas. 

“Nosso foco é refletir, de forma crítica e comprometida, sobre os mecanismos que promovem a criminalização sistemática da cultura de favela. Isso não começou agora. Há anos, vemos uma série de prisões de MCs. O que está em jogo é o direito de narrar a própria realidade”, declarou Monteiro. 

Em entrevista à Alma Preta, a vereadora e líder da bancada do PSOL na Câmara do Rio, Thais Ferreira, afirmou que a luta em defesa dos MCs e do funk é uma reação direta ao racismo que historicamente tenta silenciar e criminalizar as expressões culturais da população negra.

“Estamos juntos no mesmo grito: MC não é bandido! Seguimos combatendo o racismo que historicamente segue criminalizando a intelectualidade, a cultura e todas as expressões dos corpos pretos e favelados.”, declarou a vereadora. 

Autora do projeto que reconhece o ofício do MC como patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro, Thais Ferreira reforçou que a intelectualidade e a arte produzidas nos territórios periféricos são formas legítimas de resistência e não aceitarão retrocessos.

“Os que tentam nos calar terão que aceitar que sim, a favela produz pensamento crítico, arte e soluções para os dilemas que enfrenta. Nenhum direito a menos!”, concluiu. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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