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‘Não haverá redução de salário’, diz ministro da Fazenda sobre fim da escala 6×1

Dario Durigan afirma que 80% dos trabalhadores nesse modelo recebem até dois salários mínimos; proposta busca ampliar descanso de um para dois dias por semana
O ministro da Fazenda, Dario Durigan.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan.

— Diego Campos/Secom-PR

6 de maio de 2026

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 como uma agenda necessária. A declaração ocorreu durante o programa “Bom Dia, Ministro” desta quarta-feira (6). O ministro afirmou que a discussão reflete mudanças estruturais no mundo do trabalho.

“Estamos reconhecendo que o mundo avançou, as pessoas estão mais produtivas, há ganhos digitais, de comunicação e é preciso reconhecer sem passar a conta para a população”, disse Durigan em entrevista.

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O titular da Fazenda afirmou que o governo federal tem o compromisso de defender os interesses dos trabalhadores e garantir melhores condições de renda e de atuação, sem redução dos salários. 

“Vamos fazer questão de incluir, em qualquer medida que seja aprovada no Congresso, a proteção à não redução de salário. Não vai haver redução de salário”, destacou.

De acordo com Durigan, três em cada dez trabalhadores ainda estão nesse modelo. A maioria recebe até dois salários mínimos. 

“Estamos falando de 80% que ganham até dois salários mínimos. É o trabalhador de mais baixa renda. Quem tem mais alta renda está conseguindo escalas mais razoáveis. A ideia é reconhecer o ganho de produtividade e fazer com que a gente transicione de uma realidade em que a pessoa tem um dia para descansar para dois dias de descanso”, afirmou.

O ministro ressaltou que a proposta em debate busca ampliar o tempo de descanso, a qualidade de vida e a chance de presença com a família. O requisito da não redução salarial integra o texto enviado pelo governo ao parlamento.

Leia mais: Erika Hilton sobre escala 6×1: ‘O trabalho não pode sugar a vida do indivíduo’

Acesso ao crédito e produtividade

No campo das políticas públicas, Durigan defendeu a adoção de medidas que ampliem a produtividade das empresas. Ele citou o acesso a crédito mais barato e investimentos em capacitação profissional como alternativas à criação de novos benefícios fiscais.

“Se a gente der ganho de produtividade, melhorando o crédito das pequenas empresas, com os programas que foram anunciados com o Desenrola, se aumentar o Fundo Garantidor para que empresas tomem crédito barato, aumentar a capacitação digital, isso não pode ser melhor do que a gente voltar a criar benefício fiscal?”, destacou.

Na área tributária, o ministro ressaltou a desburocratização do Imposto de Renda. O uso das declarações pré-preenchidas avança e abre caminho para um modelo mais automatizado. No futuro, a declaração pode se tornar desnecessária.

“Sou a favor de um Estado eficiente, que cumpre o seu papel, mas que tenha menos burocracia, tome menos o tempo desse trabalhador que vai ser beneficiado com o fim da 6×1, que já está num estado próximo do burnout. Não me parece correto que nesse mundo de hoje, em que a gente está otimizando o tempo, a gente tenha que ter algo como a declaração do Imposto de Renda”, concluiu.


Leia mais: Trabalhadores da escala 6×1 ganham, em média, 58% a menos que os da 5×2

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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