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Projeto propõe renomear rua para homenagear vítimas do massacre de Paraisópolis

A proposta substitui o nome do filósofo Herbert Spencerpela, autor de teoria usada como base pseudocientífica para o racismo científico, em memória das nove vítimas do Massacre de Paraisópolis
Manifestação dos familiares dos nove jovens vítimas do Massacre de Paraisópolis em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, no dia 18 de dezembro de 2023.

Manifestação dos familiares dos nove jovens vítimas do Massacre de Paraisópolis em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, no dia 18 de dezembro de 2023.

— Reprodução/Rovena Rosa/Agência Brasil

18 de abril de 2026

A vereadora Amanda Paschoal (PSOL) apresentou na Câmara Municipal de São Paulo o Projeto de Lei (PL) 300/2026, que propõe renomear uma rua no bairro de Paraisópolis, periferia da Zona Sul, como “Rua Os 9 (nove) que Perdemos”.

O logradouro atualmente chama-se Rua Herbert Spencer e homenageia o filósofo inglês criador do chamado “darwinismo social”, teoria usada como base pseudocientífica para o racismo científico e o genocídio colonial.

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A proposta altera o nome da via localizada entre a Rua Rudolf Lotze e a Rua Melchior Giola, no Distrito Vila Andrade, para reparar simbolicamente as famílias dos nove jovens mortos na madrugada de 1 de dezembro de 2019, durante uma ação truculenta da Polícia Militar contra o Baile da DZ7.

“Esta troca simboliza a rejeição de uma lógica que ainda hoje estrutura o Estado: a de que alguns corpos, negros, periféricos e jovens, são descartáveis”, afirma Amanda Paschoal.

As nove vítimas tinham entre 14 e 23 anos e a maioria era negra e periférica. São elas: Luara Victória de Oliveira (18 anos), Bruno Gabriel dos Santos (22 anos), Denys Henrique Quirino da Silva (16 anos), Dennys Guilherme dos Santos Franco (16 anos), Gustavo Cruz Xavier (14 anos), Gabriel Rogério de Moraes (20 anos), Mateus dos Santos Costa (23 anos), Eduardo da Silva (21 anos) e Marcos Paulo Oliveira dos Santos (16 anos).

Leia mais: Ministério Público pede júri popular para os 13 PMs envolvidos no Massacre do Paraisópolis

Relembre o caso

Na ocasião, mais de 5 mil jovens se divertiam pacificamente no baile funk quando foram surpreendidos por uma operação conjunta da PM com 31 policiais, dez viaturas e seis motos. Os agentes utilizaram balas de borracha, bombas de gás e spray de pimenta, encurralando centenas de pessoas em uma viela.

As causas das mortes, segundo laudos, foram asfixia mecânica decorrente do encurralamento e compressão. A demora de 34 minutos no socorro — ignorando pedidos de resgate — selou a tragédia.

Desde 2019, o Movimento de Familiares das Vítimas do Massacre em Paraisópolis, com apoio da Defensoria Pública de São Paulo e do Centro de Arqueologia e Antropologia Forense (CAAF/Unifesp), desmontou a narrativa oficial de “pisoteamento” e comprovou a responsabilidade estatal.

No entanto, o processo judicial se arrasta: a oitava audiência de instrução foi cancelada em agosto de 2025, e até hoje nenhum policial foi condenado.

A vereadora cita o filme “Ainda Estou Aqui” e a luta da família Paiva como inspiração para resistir ao apagamento histórico.

“Renomear esta rua não é um gesto simbólico menor. É uma intervenção concreta na geografia do poder. É dizer quais histórias merecem ser contadas, quais vidas merecem ser celebradas”, afirma Paschoal.

A vereadora Amanda Paschoal
A vereadora Amanda Paschoal. Foto: Divulgação/Matheus Alves

O PL 300/2026 segue para análise das comissões da Câmara Municipal de São Paulo. Se aprovado, entra em vigor na data da publicação.

Leia mais: Contra bailes funk, PM de SP usa mesma tática do massacre de Paraisópolis, denuncia deputada

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