O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) solicitou que os 13 policiais militares envolvidos no Massacre de Paraisópolis, que resultou na morte de nove jovens, com idades de 14 a 23 anos, sejam levados a júri popular. O pedido foi divulgado pelo órgão na segunda-feira (2).
A solicitação ocorre seis anos depois do crime. No dia 1 de dezembro de 2019, milhares de jovens estavam no baile da Dz7, que acontecia na rua, quando tiros foram disparados pelos agentes contra o público. Com isso, a multidão foi encurralada e empurrada para uma viela incompatível para o volume de pessoas presentes. Os nove jovens morreram por asfixia decorrente de sufocação direta. Também houve casos de lesões corporais.
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À época, a Polícia Militar alegou que os agentes reagiram a um ataque de criminosos, que teriam disparado contra as viaturas. A versão é contestada por testemunhas e familiares das vítimas.
Conforme informou o MPSP, todos os policiais acusados respondem por lesões corporais e homicídios triplamente qualificados, com motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e meio cruel associado ao perigo comum.
Para a promotora de Justiça Luciana André Jordão Dias, responsável pelo requerimento, a investigação demonstrou que os agentes agiram com, no mínimo, dolo eventual ao assumirem o risco de produzir o resultado morte.
O Ministério Público defende que houve atuação coordenada das equipes, com o fechamento simultâneo das extremidades da via onde ocorria o baile, uso desproporcional da força, lançamento de bombas de efeito moral e emprego de violência física. A atuação dos PMs, segundo o órgão, gerou um cenário de pânico generalizado, que impediu rotas seguras de fuga.