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Ministério Público pede júri popular para os 13 PMs envolvidos no Massacre do Paraisópolis

Órgão defende que atuação dos policiais no baile da Dz7, em 2019, resultou no encurralamento da multidão em uma viela pequena, causando nove mortes por sufocamento
Manifestação dos familiares dos nove jovens vítimas do Massacre de Paraisópolis em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, no dia 18 de dezembro de 2023.

Manifestação dos familiares dos nove jovens vítimas do Massacre de Paraisópolis em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, no dia 18 de dezembro de 2023.

— Reprodução/Rovena Rosa/Agência Brasil

3 de fevereiro de 2026

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) solicitou que os 13 policiais militares envolvidos no Massacre de Paraisópolis, que resultou na morte de nove jovens, com idades de 14 a 23 anos, sejam levados a júri popular. O pedido foi divulgado pelo órgão na segunda-feira (2). 

A solicitação ocorre seis anos depois do crime. No dia 1 de dezembro de 2019, milhares de jovens estavam no baile da Dz7, que acontecia na rua, quando tiros foram disparados pelos agentes contra o público. Com isso, a multidão foi encurralada e empurrada para uma viela incompatível para o volume de pessoas presentes. Os nove jovens morreram por asfixia decorrente de sufocação direta. Também houve casos de lesões corporais.

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À época, a Polícia Militar alegou que os agentes reagiram a um ataque de criminosos, que teriam disparado contra as viaturas. A versão é contestada por testemunhas e familiares das vítimas.

Conforme informou o MPSP, todos os policiais acusados respondem por lesões corporais e homicídios triplamente qualificados, com motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e meio cruel associado ao perigo comum.

Para a promotora de Justiça Luciana André Jordão Dias, responsável pelo requerimento, a investigação demonstrou que os agentes agiram com, no mínimo, dolo eventual ao assumirem o risco de produzir o resultado morte. 

O Ministério Público defende que houve atuação coordenada das equipes, com o fechamento simultâneo das extremidades da via onde ocorria o baile, uso desproporcional da força, lançamento de bombas de efeito moral e emprego de violência física. A atuação dos PMs, segundo o órgão, gerou um cenário de pânico generalizado, que impediu rotas seguras de fuga. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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