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Uso de símbolos nazistas por aliados de Bolsonaro não é novo; relembre casos

O caso do assessor Felipe Martins, que ganhou repercussão nesta semana, não foi o primeiro; apoiadores e membros do governo já fizeram outros gestos alusivos ao nazismo

Texto: Caroline Nunes | Edição: Nataly Simões | Imagem: Reprodução

Uso de símbolos do nazismo por aliados de Bolsonaro não é novo; relembre casos

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26 de março de 2021

Assessor internacional do presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins fez um gesto considerado símbolo da supremacia branca, com referência ao nazismo, durante uma aparição na TV Senado na quarta-feira (24). Formando a letra W e a letra P com os dedos, gesto considerado por muitos como “OK”, o asssesor na verdade transmitiu a mensagem “white power”, ou poder branco, em tradução livre.

Após repercussão negativa, o assessor da presidência usou o Twitter para se defender e afirmou que não faz sentido ser relacionado ao movimento supremacista branco ou nazista por ser judeu. Em resposta ao ocorrido, o Museu do Holocausto, em Curitiba (PR), repudiou o ato. “É estarrecedor que não haja uma semana que o Museu do Holocausto de Curitiba não tenha que denunciar, reprovar ou repudiar um discurso antissemita, um símbolo nazista ou ato supremacista”, declarou a gestão do museu, também na rede social.

Essa não foi a primeira vez que algum aliado de Bolsonaro faz publicamente gestos alusivos ao nazismo. Um caso marcante, ocorrido no início de 2020, teve como protagonista o até então secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim. Em seu discurso para a divulgação do Prêmio Nacional das Artes nas redes sociais, o ex-secretário utilizou trechos de uma fala de Joseph Goebbels, ministro de propaganda da Alemanha nazista.

No discurso copiado por Alvim, Goebbels dizia: “A arte alemã da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

Na adaptação, o ex-secretário – demitido após a repercussão do ocorrido – falou: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”.

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Na foto à esquerda: Roberto Alvim, ex-secretário Especial da Cultura. Na foto à direita: Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Adolph Hitler. (Foto: Reprodução)

Em um outro episódio, o presidente Bolsonaro e um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), tiveram a imagem associada à supremacia branca ao tomar um copo de leite puro durante uma transmissão ao vivo em seu perfil no Facebook, bem como fazem os neonazistas americanos, que adotaram o gesto como simbologia à supremacia branca. O blogueiro Allan dos Santos, linha auxiliar do bolsonarismo nas redes sociais, repetiu o gesto em uma transmissão ao vivo do seu canal.

Um dos casos mais explicitos de apoio a movimentos supremacistas foi protagonizado pela militante Sara Geromini, que passou a utilizar o sobrenome Winter em homenagem à uma espiã inglesa, associada ao partido nazista e à União Britânica de Fascistas, chamada Sarah Winter.

A militante organizou um grupo chamado “300 do Brasil”, que montou um acampamento na Esplanada dos Ministérios em maio de 2020. Nas marchas do movimento, eles carregavam tochas e se vestiam de branco. A estética do grupo se assemelhava à Ku Klux Klan (KKK), movimento de supremacistas brancos norte-americanos.

Também em maio de 2020, antigos companheiros de paraquedismo de Bolsonaro se dirigiram ao Palácio do Planalto a fim de saudar o chefe de estado. Durante o cumprimento, os paraquedistas levantaram o braço direito e gritaram: “Bolsonaro somos nós”. A repercussão do caso foi encarada como alusão ao nazismo, como uma variação de Heil Hitler.

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