O ministro da Polícia da África do Sul, Senzo Mchunu, refutou nesta sexta-feira (23) as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a existência de um suposto “genocídio branco” no país. Trump voltou a afirmar na quarta-feira (21), durante reunião com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, que “milhares” de fazendeiros brancos estariam sendo assassinados.
Em coletiva de imprensa, Mchunu qualificou as alegações como “totalmente infundadas e sem qualquer base factual”. Ele declarou que os crimes em áreas rurais atingem pessoas de diferentes origens raciais e que os dados estatísticos vêm sendo historicamente distorcidos para sustentar discursos de perseguição.
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Dados oficiais contradizem narrativa de genocídio
Durante a apresentação das estatísticas criminais do primeiro trimestre de 2025, o ministro informou que ocorreram dois assassinatos de proprietários de fazendas entre janeiro e março, ambos de pessoas negras. No mesmo período, também foram mortos um morador de fazenda, dois empregados e um gerente — apenas o morador era branco.
No trimestre anterior, entre outubro e dezembro de 2024, foram registrados 12 homicídios em propriedades rurais, com apenas uma vítima branca, também proprietária.
Mchunu explicou que os registros policiais normalmente não incluem classificação por raça, mas que esse critério foi temporariamente utilizado no contexto das alegações internacionais de “genocídio branco”, com o objetivo de esclarecer os dados. A maioria das vítimas, segundo o ministro, são homens negros, jovens e residentes em áreas urbanas.
Acusações sobre desapropriações também são rejeitadas
Além das alegações de violência racial, Donald Trump também afirmou que o governo sul-africano estaria promovendo desapropriações forçadas de terras pertencentes a brancos. O ministro negou a existência de qualquer programa oficial de expropriação.
Mchunu reconheceu que a polícia registrou alguns casos de invasões de terra consideradas ilegais, mas ressaltou que a maioria dessas ocorrências foi identificada em áreas urbanas e não resultou de ações governamentais. “É uma alegação não comprovada, mesmo que feita por pessoas em cargos elevados”, afirmou.
Queda nos homicídios e aumento de estupros
O relatório apresentado nesta sexta também mostrou queda de 12% no número total de homicídios em relação ao mesmo trimestre de 2024. Foram registrados 5.727 assassinatos entre janeiro e março deste ano, o que representa uma média de 63 homicídios por dia. No ano fiscal anterior (2023/2024), a média diária era de mais de 75 mortes.
Por outro lado, os casos de estupro tiveram leve aumento, totalizando quase 10.700 registros no período. O ministro reiterou que a criminalidade segue sendo um desafio nacional, mas reafirmou que os dados não sustentam a tese de perseguição sistemática a grupos específicos com base em raça.