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Guerra no Sudão e crises prolongadas elevam número de deslocados a 122 milhões em todo o mundo

Relatório da Organização das Nações Unidas mostra que conflitos armados e colapso de sistemas humanitários mantêm número global de deslocados forçados em alta
Pessoas que fugiram do campo de Zamzam caminham em um acampamento improvisado em um campo aberto perto da cidade de Tawila, na região de Darfur, no oeste do Sudão, devastada pela guerra, em 13 de abril de 2025.

Pessoas que fugiram do campo de Zamzam caminham em um acampamento improvisado em um campo aberto perto da cidade de Tawila, na região de Darfur, no oeste do Sudão, devastada pela guerra, em 13 de abril de 2025.

— Reprodução/AFP

12 de junho de 2025

O número de pessoas forçadas a deixar suas casas em razão de guerras, perseguições e violência chegou a 122,1 milhões no final de abril de 2025, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (12) pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Apesar de representar uma leve queda em relação ao recorde de 123,2 milhões registrado no fim de 2024, a agência classifica o índice como “insustentavelmente elevado”.

A redução se deve, principalmente, ao retorno de cerca de 2 milhões de sírios às suas casas — incluindo mais de 500 mil vindos do exterior — após a queda do regime do presidente Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. 

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A guerra civil no país durou 13 anos e provocou uma das maiores crises de deslocamento da história recente. Até o fim de 2025, o ACNUR estima que 1,5 milhão de refugiados sírios e dois milhões de deslocados internos podem reassentar-se em suas regiões de origem.

Sudão lidera em número de deslocados forçados

O Sudão passou a liderar a lista de países com o maior número de pessoas deslocadas: 14,3 milhões. O número reflete os impactos da guerra civil iniciada em abril de 2023, que desencadeou uma das crises humanitárias mais graves da atualidade. A continuidade do conflito tem pressionado fronteiras vizinhas e agravado a escassez de recursos humanitários.

O relatório do ACNUR destaca também os casos de Mianmar e Ucrânia como fatores centrais no agravamento do cenário global, com ofensivas armadas que comprometem a segurança de civis e ampliam os fluxos migratórios forçados.

Financiamento humanitário em declínio

Além da complexidade dos conflitos, o Alto Comissariado alertou para o encolhimento do financiamento destinado à ajuda humanitária. Segundo o alto comissário Filippo Grandi, o contexto internacional atual é de instabilidade, marcado pela retração de recursos inclusive por parte dos Estados Unidos.

“Vivemos um período de grande volatilidade nas relações internacionais, no qual a guerra moderna está criando um cenário frágil e devastador, marcado por um sofrimento humano agudo”, afirmou Grandi. Ele defendeu o redirecionamento dos esforços globais para soluções duradouras, com foco na reconstrução da paz e no atendimento às populações afetadas.


O ACNUR observa que a evolução do número global de deslocados forçados dependerá do desenrolar dos principais conflitos ainda em curso. A queda registrada nos primeiros meses do ano representa apenas um alívio temporário frente a um cenário de vulnerabilidade estrutural.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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