PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Países africanos e caribenhos aprovam plano conjunto de reparação pela escravidão

Documento elaborado por União Africana e CARICOM defende pedido formal de desculpas, compensações financeiras e restituição de patrimônios culturais
Cúpula da União Africana em Adis Abeba, capital da Etiópia, no dia 21 de abril de 2026.

Cúpula da União Africana em Adis Abeba, capital da Etiópia, no dia 21 de abril de 2026.

— Michael Tewelde/Xinhua via AFP

22 de junho de 2026

Lideranças de países africanos e caribenhos aprovaram um plano conjunto de reparação pelos impactos da escravidão transatlântica. O documento foi divulgado durante conferência realizada em Acra, capital de Gana, na última sexta-feira (19). 

A iniciativa foi elaborada ao final de um encontro de três dias que reuniu chefes de Estado, representantes governamentais, pesquisadores e organizações internacionais. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O plano foi aprovado pela Comissão de Justiça Reparadora da União Africana e da Comunidade do Caribe (Caricom) após a aprovação, em março deste ano, de uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que reconhece a escravidão transatlântica como o crime mais grave contra a humanidade. 

Leia mais: ONU aprova reconhecimento da escravidão como o mais grave crime contra a humanidade

Entre as propostas estão pedidos formais de desculpas por parte das nações que se beneficiaram economicamente da escravidão, compensações financeiras, cancelamento de dívidas e reformas em instituições financeiras internacionais para ampliar a participação dos países do Sul Global.

O planejamento também defende a criação de um Fundo Global de Reparações, destinado a apoiar ações voltadas ao enfrentamento das consequências históricas da escravidão e do colonialismo. Além disso, propõe a devolução de patrimônios culturais retirados de países africanos, a restituição de restos mortais ancestrais e o financiamento de iniciativas relacionadas à justiça climática.

Leia mais: RD Congo e Uganda têm mais de 1.100 casos suspeitos de ebola, diz União Africana

Outro ponto previsto no plano trata dos impactos específicos da escravidão sobre mulheres e meninas africanas. O texto solicita medidas voltadas ao reconhecimento e enfrentamento das violências sofridas por essa população durante o período escravista.

A proposta ainda incentiva países africanos a criarem mecanismos que facilitem o retorno e o acesso à cidadania para pessoas da diáspora africana.

Durante a conferência, lideranças destacaram que o debate sobre reparações busca reconhecer responsabilidades históricas e construir mecanismos de enfrentamento às consequências da escravidão.

“A história não nos pede para herdar a culpa, mas sim a responsabilidade”, declarou o presidente de Gana, John Dramani Mahana, no evento. 

O plano aprovado será apresentado na próxima Assembleia Geral da ONU, onde países africanos e caribenhos pretendem ampliar o apoio internacional às medidas de reparação.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano