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Como a Alma Preta se tornou a 1ª mídia negra brasileira a ganhar o Cannes Lions

Criado por quatro universitários negros há dez anos, a Alma Preta foi a primeira mídia negra no Brasil a ganhar um prêmio no Cannes Lions
O atleta Weslley Caitano durante ação da campanha Corredor em Perigo, Niterói (RJ), 30 de março de 2025

O atleta Weslley Caitano durante ação da campanha Corredor em Perigo, Niterói (RJ), 30 de março de 2025

— Solon Neto/Alma Preta

23 de junho de 2025

A campanha publicitária “Corredor em Perigo”, criada pela Alma Preta, em parceria com a Lew’Lara\TBWA, levou a agência de notícias a se tornar a primeira mídia negra premiada pelo Cannes Lions, o principal festival da indústria criativa do mundo.

O projeto, vencedor do Leão de Prata de Diversidade e Inclusão no Esporte no dia 17 de junho, marca também a estreia da agência no campo da publicidade.

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Com a participação do atleta Weslley Caitano, a campanha denuncia o racismo estrutural enfrentado por pessoas negras ao realizar atividades físicas em espaços públicos, como correr na rua, ao mesmo tempo em que reflete sobre como o corpo negro é constantemente alvo de suspeita e criminalização.

A premiação ocorreu no ano em que a agência de notícias completou dez anos em atividade. A administradora de empresas Elaine Silva, sócia-diretora da Alma Preta e cofundadora da Black Adnetwork, afirma que o reconhecimento é um marco para o jornalismo negro e independente no país. 

“A mídia negra tem mais de 100 anos de história, contemplando a maioria da sociedade com jornalismo sério e comprometido. O trabalho da nossa agência dá seguimento a esse legado, a partir de novas formas de comunicação e impacto social”, conta.

Os desafios da campanha

Um dos principais desafios em utilizar o formato “entertainment” para disseminar uma mensagem focada tanto no esporte como no antirracismo foi promover o engajamento acerca do tema, conforme destaca Elaine.

“Apesar de ser uma campanha que responsabiliza toda a sociedade, nem todas as pessoas e organizações estão preparadas para se comprometer com essa profundidade de discussão. Nesse momento, tivemos que pensar de forma estratégica e acionar os atores que, de fato, ‘comprariam’ essa luta”, explica.

Segundo a diretora, o prêmio não será apenas celebrado, mas analisado e incorporado ao compromisso antirracista assumido pela Alma Preta.

“Por agora, precisamos colher os frutos deste trabalho e entender como ele irá impactar institucionalmente a nossa organização e, a partir disso, como a agência pode ampliar a luta racial da comunidade negra do Brasil”, completa.

Dez anos de jornalismo negro

Criada em 2015, a Alma Preta surgiu na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), localizada na cidade de Bauru, no interior de São Paulo. Fundada por quatro jovens estudantes negros, a agência que começou como um blog despontou como alternativa à mídia tradicional, que pouco aborda pautas relacionadas à comunidade negra e a outros grupos marginalizados no Brasil sob uma perspectiva antirracista e livre de estereótipos.

Ao longo destes dez anos, a agência vem ocupando importantes espaços no debate da comunicação antirracista e diversa. A agência mantém constante produção de materiais jornalísticos e no último ano inaugurou um núcleo de jornalismo investigativo, além de um painel com dados sobre a população negra brasileira.

No meio internacional, esteve presente em diversas edições da Conferência das Partes (COP), no Fórum Permanente para Afrodescendentes da Organização das Nações Unidas (ONU), na Suíça, e nas Olimpíadas de Paris 2024, onde foi a primeira mídia negra independente do Brasil a cobrir o evento.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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