O número de pessoas mortas no Sudão do Sul alcançou o maior patamar em quase cinco anos, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (2) pela Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS). Entre janeiro e março de 2025, 739 civis foram assassinados, um aumento de 110% em relação ao trimestre anterior, quando o número era de 352.
Além dos homicídios, o relatório aponta 679 feridos, 149 sequestros e 40 casos de violência sexual relacionada a conflitos. O total de vítimas representa o número mais elevado já registrado pela missão da ONU em um período de três meses desde o ano de 2020.
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A intensificação da violência ocorre em meio ao agravamento da disputa entre o presidente Salva Kiir e seu vice, Riek Machar. A prisão de Machar em março, na capital Juba, aumentou as tensões e foi seguida por ataques a civis e instalações médicas. Organizações internacionais que atuam no país relataram o avanço de ações armadas contra a população.
A maior parte das mortes foi registrada no estado de Warrap, onde o governo decretou estado de emergência em junho. A ONU atribui a maioria das ações violentas a milícias comunitárias e grupos de defesa civil. Ainda assim, 15% das vítimas foram ligadas a ações de grupos armados organizados, com um crescimento de 27% nesse tipo de atuação em relação ao trimestre anterior (de 152 para 193 vítimas).
Acordo de paz perde eficácia
O Sudão do Sul, país mais jovem do mundo, ainda enfrenta os efeitos da guerra civil travada entre 2013 e 2018. O conflito envolveu forças leais a Kiir e Machar e foi encerrado por um acordo de paz assinado em 2018, cuja implementação tem se mostrado frágil.
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, alertou em maio que o país se aproxima novamente de um ponto crítico e pediu que as partes envolvidas cumpram urgentemente o acordo assinado. Para Turk, a retomada dos confrontos pode aprofundar a crise humanitária e ampliar as violações de direitos no país.