A União Africana declarou, no domingo (31), que há ao menos 1,1 mil casos suspeitos de ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. Segundo o diretor-geral da Agência de Saúde da organização, Jean Kaseya, há 263 casos confirmados nos dois países.
Até sábado (30), ao menos 43 mortes foram confirmadas nas regiões. A atual epidemia, da cepa Bundibugyo, teve início em 15 de maio em Ituri, no nordeste da RDC, província com circulação intensa de trabalhadores da mineração e moradores de comunidades locais. O fluxo intenso é apontado pelas autoridades sanitárias como um dos fatores que favorecem a disseminação do vírus.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Em nota, Kaseya informou que o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) entregou mais de 2 toneladas de suprimentos médicos essenciais e 4,8 mil kits de testes rápidos para fortalecer a resposta ao surto no continente.
Leia mais: O que se sabe sobre o novo surto de ebola na RD Congo
“Os profissionais de saúde da linha de frente continuam sendo o foco dessa resposta, e sua proteção é uma prioridade máxima. O Africa CDC continuará ao lado dos Estados-Membros da União Africana para garantir respostas rápidas, coordenadas e eficazes aos surtos em todo o continente.”
In the Democratic Republic of the Congo, Africa CDC has delivered 2.5 tons of essential medical supplies and 4,800 rapid test kits to support the response to #Ebola, including the #Bundibugyo strain. This support, handed over to the Minister of Health, is aimed at strengthening… pic.twitter.com/LIZkiDv9j2
— Dr Jean Kaseya (@Dr_JeanKaseya) June 1, 2026
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 60% dos afetados são mulheres e a maioria tem entre 20 e 39 anos. Os balanços se baseiam principalmente nos casos suspeitos. Ituri, fronteira com Uganda e o Sudão do Sul, reúne mais de 90% dos casos registrados.
Ainda não existe vacina ou tratamento específico para a cepa Bundibugyo. As existentes funcionam apenas contra a variante Zaire, responsável pelas maiores epidemias registradas. Em 2007 e 2012, a Bundibugyo provocou duas epidemias com taxa de mortalidade entre 30% e 50%. No momento, a taxa de mortalidade da epidemia atual está abaixo de 25%.
A OMS fez, no dia 28 de maio, um apelo público por um cessar-fogo nas áreas de conflito do leste da RDC, para possibilitar o avanço das ações contra o surto de ebola no país. A entidade ressaltou o cenário marcado por violência armada, deslocamentos forçados e dificuldades logísticas.
O contexto dificulta o acesso a comunidades isoladas e põe em risco a vida dos profissionais de saúde, destacou a organização.
Leia mais: OMS pede cessar-fogo em áreas de conflito para conter avanço do ebola na RD Congo
Texto com informações da AFP.