Os debates e palestras da 20ª edição do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), seguiram na tarde desta quinta-feira (10), na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo.
Uma das atividades do dia teve como tema “Documentar o horror: a responsabilidade da imprensa na cobertura de genocídios e crimes humanitários”. A convidada foi a jornalista Laila Al-Arian, produtora executiva da Al Jazeera, veículo do Catar, e especialista em coberturas de conflitos.
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O encontro foi mediado pelos jornalistas Andrew Fishman, presidente do Intercept Brasil; Damaris Cunha, gerente de comunicação e coordenadora operacional dos Médicos Sem Fronteiras; e Yan Boechat, jornalista de cobertura internacional.
Durante a palestra, Laila destacou a importância da atuação jornalística em contextos como guerras e crises humanitárias, e abordou as principais estratégias para realizar uma cobertura ética, responsável e segura. Segundo a profissional, um dos maiores desafios da cobertura em zonas de conflito é a limitação de acesso a áreas afetadas e os riscos enfrentados pelas equipes de reportagem.
“É muito difícil circular no local, os câmeras tiveram seus equipamentos destruídos e é um desafio fazer com que a reportagem seja compartilhada para o mundo”, afirmou.

A jornalista também compartilhou práticas para quem acompanha conflitos armados. “Trabalhar com jornalistas e profissionais locais, pesquisar os riscos da região, saber o idioma ou ter o apoio de pessoas que saibam, e adotar medidas de segurança como o uso de coletes considerando sempre o contexto local”, destacou.
Além das questões de segurança, Laila alertou para os cuidados com a saúde dos profissionais, destacando a necessidade de manter as vacinas em dia e de se preparar para possíveis complicações médicas durante as coberturas.
Outro ponto abordado foi a necessidade de incluir vozes locais, fontes diretamente impactadas pelos conflitos nas reportagens e mídias que fogem de narrativas ocidentais. “É essencial garantir que os assassinatos de palestinos sejam incluídos nas coberturas, nos programas, nas análises, e que essas pessoas tenham espaço para contar suas histórias”, disse.
Ela também chamou atenção para o risco de reproduzir estereótipos e narrativas distorcidas, reforçando o papel da imprensa em apresentar os fatos com responsabilidade e sensibilidade.
“É importante que as pessoas não se limitem às grandes mídias, porque sabemos que essas instituições têm seus preconceitos, que anseiam sobre seu trabalho, até a decisão de quais histórias cobrir, quanto destaque dar a essas histórias e cujas vidas importam e outras não”, acrescentou.
O Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo segue até o dia 13 de julho e as inscrições estão abertas no site da Abraji.