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Turbulência global pode comprometer metas de desenvolvimento até 2030, alerta África do Sul

Na presidência do G20, país africano destaca riscos à erradicação da pobreza e ao combate às mudanças climáticas diante de crescentes tensões geopolíticas
O Ministro das Finanças da África do Sul Enoch Godongwana (D) e o governador do Banco de Reserva da África do Sul, Lesetja Kganyago (E), na conferência de imprensa do G20.

O Ministro das Finanças da África do Sul Enoch Godongwana (D) e o governador do Banco de Reserva da África do Sul, Lesetja Kganyago (E), na conferência de imprensa do G20.

— Rodger Boscher/AFP

19 de julho de 2025

Durante encontro do G20 em Durban, na África do Sul, o governo sul-africano alertou que o abandono da ordem internacional baseada em regras e a redução da cooperação entre países podem comprometer as metas globais de desenvolvimento sustentável, previstas para 2030. 

O conjunto de objetivos, adotado por todos os Estados-membros da ONU em 2015, inclui metas como erradicação da pobreza extrema, combate à fome, igualdade de gênero, acesso à educação e ação contra as mudanças climáticas.

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O ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, afirmou que, apesar de sinais de estabilização em algumas regiões, a incerteza segue impactando negativamente as perspectivas de crescimento global. Segundo ele, o aumento de barreiras comerciais, os desequilíbrios persistentes e novos riscos geopolíticos agravam o cenário e afastam o cumprimento dos objetivos do desenvolvimento sustentável.

Godongwana alertou ainda que choques climáticos somados a esses fatores econômicos e políticos podem empurrar ainda mais para longe as metas estabelecidas pela comunidade internacional.

Estados Unidos ausentes, tensões crescentes

A reunião, que reuniu ministros da economia e presidentes de bancos centrais do G20, ocorreu em meio a crescentes disputas comerciais. Os Estados Unidos, sob nova administração, têm promovido mudanças drásticas na política externa e econômica, incluindo cortes em programas de ajuda internacional e imposição de tarifas contra países considerados “antiamericanos”. Tais medidas impactam diretamente projetos de desenvolvimento em países africanos.

A ausência do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou a tensão. Ele foi representado por um subsecretário, após ter se ausentado de uma reunião anterior em fevereiro. Também o secretário de Estado, Marco Rubio, não participou do encontro de chanceleres do G20.

Diante desse contexto, a presidência sul-africana do G20 destacou a necessidade de revitalizar o multilateralismo e promover o diálogo inclusivo entre os países. 

“Temos um papel crítico na revitalização e no fortalecimento do multilateralismo, por meio da promoção do diálogo inclusivo, da cooperação baseada em regras e da ação coletiva frente a desafios globais que nenhum país pode resolver sozinho”, afirmou Godongwana.

A Alemanha reforçou o compromisso com esse esforço, conforme declarou o ministro das Finanças, Lars Klingbeil, que defendeu o fortalecimento das parcerias no atual cenário de instabilidade internacional.


O G20, composto por 19 países e duas organizações regionais, representa mais de 80% do produto econômico mundial. Suas decisões não são obrigatórias, mas o bloco exerce papel central nas negociações econômicas globais.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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