O Baobá – Fundo para Equidade Racial e a B3 Social apresentaram, em evento na B3, quatro estudantes selecionados para a segunda edição do Programa Black STEM. Os jovens foram aprovados em universidades nos Estados Unidos e na Europa e receberão apoio financeiro para custear despesas durante a graduação em áreas STEM (sigla em inglês de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Cada bolsista receberá R$ 35 mil anuais, valor que cobre moradia, alimentação, transporte, mensalidades e material acadêmico. O auxílio será renovado até a conclusão do curso. A seleção foi realizada por profissionais das áreas de STEM, Psicologia e Educação.
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Entre os novos bolsistas está Enio Ferreira Barbosa, de Salvador, que foi aprovado em Ciência da Computação na Stanford University, nos Estados Unidos. Gabriel Hemetrio de Menezes, de Belo Horizonte, ingressará no Massachusetts Institute of Technology (MIT), também nos EUA, onde estudará Física e Ciência da Computação.
Enio destacou o impacto do edital em sua trajetória: “O edital me dá a tranquilidade de ter uma rede de apoio. Nossa missão, como estudantes, é técnica. Mas ela também tem um lado social. Vamos para um ambiente de elite, mas não vamos negligenciar nossa origem, nossa raça e nossos valores”, disse em nota à imprensa.
Gabriela Torreão Marques Ferreira, de Fortaleza (CE), iniciará o curso de Engenharia Química e Biomolecular na University of Notre Dame, outra universidade norte-americana. Já Maria Luiza Storck Ferreira, do Rio de Janeiro (RJ), cursará Engenharia Química na Universidad de Jaén, na Espanha.
Contribuições negras na ciência e nas engenharias
O Programa Black STEM parte do reconhecimento das contribuições históricas de pessoas negras nas ciências brasileiras. Nomes como Sonia Guimarães, Enedina Alves, os irmãos André e Antônio Rebouças e Simone Evaristo marcam presença nas áreas científicas com atuação em física, engenharia e biologia.
Ao apoiar a formação de novos talentos, o Black STEM fortalece essa presença no Brasil e no exterior. Desde 2024, o programa mantém o compromisso de garantir acesso e permanência de estudantes negros em instituições de ensino fora do país.
O evento de apresentação dos bolsistas contou com representantes do Baobá, da B3 e do corpo docente responsável pela formação dos jovens. Giovanni Harvey, diretor executivo do Fundo Baobá, destacou o papel da parceria com a B3 para descentralizar oportunidades e valorizar o conhecimento negro. “O sentido do investimento está voltado para onde o conhecimento negro vai fazer a diferença”, afirmou.
A diretora de Programa do Fundo Baobá, Fernanda Lopes, ressaltou que apenas 18% dos profissionais da área STEM no Brasil são negros. O programa busca contribuir com o aumento dessa participação. “Esperamos que quando esses estudantes regressarem, voltem com o compromisso de alavancar essa presença e alavancar as tecnologias nacionais”, concluiu.