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‘Transporte inseguro e privatizado’: movimento reivindica Tarifa Zero no Recife

Movimento reforça a luta pelo transporte gratuito como direito de todos, em defesa da qualidade de vida, segurança e acessibilidade
Cine debate discute a tarifa zero e as desigualdades, acessibilidade e a mobilidade no transporte público de Recife.

Cine debate discute a tarifa zero e as desigualdades, acessibilidade e a mobilidade no transporte público de Recife.

— Divulgação/Duda Coutinho

8 de agosto de 2025

O movimento em defesa da Tarifa Zero tem ganhado força em diversas regiões do Brasil, impulsionado pela articulação de coletivos e organizações que reivindicam o direito à mobilidade urbana gratuita como uma política pública essencial.

Na capital pernambucana, Recife, foi realizado no dia 30 de julho um Cine Debate com exibição do minidocumentário “Tarifa Zero: Cidade em Disputa”, uma produção da Fundação Rosa Luxemburgo em parceria com o Brasil de Fato. A atividade buscou fomentar o debate sobre a importância da Tarifa Zero como política de inclusão social e combate à desigualdade.

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O encontro reuniu coletivos como o Movimento Passe Livre (MPL), Ameciclo, Feministas Antirracistas Socialistas (FAS) e Bigu Comunicativismo, para discutir sobre a construção de um transporte público acessível, democrático e voltado às necessidades da população trabalhadora e periférica.

A Alma Preta conversou com Yasmim Alves, mestranda em ciências sociais pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), integrante da FAS e da mobilização nacional por Tarifa Zero. Ela destacou que a mobilização nasceu das condições precárias do transporte público na Região Metropolitana da capital.

“O transporte é caro, lotado, ruim, inseguro e privatizado. E estamos falando de cerca de 15 municípios que integram a região metropolitana do Recife”, afirmou.

Segundo o movimento, atualmente apenas 136 municípios brasileiros implementaram algum modelo de transporte coletivo gratuito. Entre eles, destaca-se Caucaia (CE), com cerca de 355 mil habitantes, e Maricá (RJ), com cerca de 197 mil, como os maiores municípios que já adotaram a Tarifa Zero.

Para Yasmim Alves, a importância da luta pelo transporte gratuito deve caminhar com a estatização do sistema.

“Enquanto os empresários controlarem as frotas, a qualidade e o serviço prestado à vida dos trabalhadores e trabalhadoras rodoviários e metroviários, a população continuará insatisfeita. Por isso precisa ser uma luta e uma política combinada de tarifa zero e estatização do transporte público”, destacou.

Ato nacional em Brasília e calendário de mobilizações

O movimento nacional pela Tarifa Zero está em expansão e já articula mais de 30 organizações em cerca de 15 cidades. Entre elas estão sindicatos de metroviários e coletivos como a Mobilidade Triplo Zero (Tarifa Zero, Zero Emissões, Zero Mortes no Trânsito), Vida Além do Trabalho (VAT) e as Feministas Antirracistas Socialistas (FAS). Essas organizações denunciam a conexão direta entre a precarização da vida da classe trabalhadora negra e feminina e a precariedade do transporte público.

Um calendário nacional de lutas está em construção para as próximas ações do movimento.

Entre os dias 7 e  12  de setembro será realizada a Semana Nacional de Lutas pela Tarifa Zero, com manifestações e atividades locais nos estados de São Paulo, Pernambuco, Maranhão, Bahia, Tocantins, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina, somando-se ao movimento Grito dos Excluídos.  Já de 6 a 10 de outubro, está prevista uma mobilização nacional em Brasília, durante a Conferência das Cidades, levando a pauta da Tarifa Zero ao centro do debate nacional sobre políticas urbanas.

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  • Thayná Santana

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