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África do Sul denuncia relatório dos EUA sobre direitos humanos: ‘profundamente falho’

Governo sul-africano aponta distorção e interesses políticos em avaliação dos EUA, que também condenou Brasil e elogiou El Salvador
Ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola.

Ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola.

— Rodger Bosch/AFP

13 de agosto de 2025

A África do Sul classificou como “profundamente falho” o relatório anual de direitos humanos divulgado pelos Estados Unidos, que apontou uma “deterioração” na situação do país. A reação ocorreu poucos dias após o governo de Donald Trump impor tarifas de 30% sobre grande parte das exportações sul-africanas.

No documento, o Departamento de Estado acusou a capital Pretória de avançar “de forma preocupante” em direção à expropriação de terras de africânderes e de cometer abusos contra minorias raciais — população branca do país. A lei sancionada em 2025 pelo presidente Cyril Ramaphosa prevê a expropriação sem indenização em casos raros, com o objetivo de enfrentar a concentração de terras nas mãos de proprietários brancos, três décadas após o fim do apartheid.

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O Ministério das Relações Exteriores sul-africano afirmou que o relatório “não reflete a realidade” da democracia constitucional do país. Pretória ainda busca um acordo com Washington para preservar dezenas de milhares de empregos nos setores agrícola, automotivo e têxtil, fortemente dependentes do mercado estadunidense.

O Brasil na mira de Washington

O mesmo relatório também apontou que a situação dos direitos humanos no Brasil “se deteriorou” em 2024. A acusação veio dias depois de os Estados Unidos aplicarem tarifas de 50% ao país, justificadas por Washington como reação à suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o texto, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria “minado o debate democrático” e reprimido de forma “desproporcional” manifestações de apoiadores de Bolsonaro, além de jornalistas e políticos. O documento cita medidas do Supremo Tribunal Federal, que Washington considera “desproporcionais” para conter a liberdade de expressão na internet.

O Brasil aparece ao lado de Venezuela e Nicarágua como exemplos de deterioração dos direitos humanos na América Latina. Em contrapartida, o relatório elogia a gestão de Nayib Bukele em El Salvador, afirmando não haver registros confiáveis de abusos significativos no país — avaliação contestada por organizações de direitos humanos.

Acusações de seletividade e omissões

A Anistia Internacional dos EUA também criticou duramente a abordagem, afirmando que a administração Trump conduziu uma documentação “muito seletiva” das violações, eliminando seções inteiras em alguns países, como a discriminação contra pessoas LGBTQ+, e omitindo dados de forma arbitrária.

Amanda Klasing, diretora nacional de relações governamentais e advocacy da entidade, declarou em nota que “nunca antes os relatórios foram tão longe em priorizar a agenda política de um governo em detrimento de um relato consistente e verdadeiro sobre violações ao redor do mundo”.

Para a organização, o Departamento de Estado suavizou críticas a determinados países, ignorou abusos em outros e reduziu o conteúdo sob a justificativa de que “menos é mais”.

Segundo Klasing, essa postura envia um “recado preocupante” de que os EUA estão dispostos a fechar os olhos para certas violações, deixando vítimas e defensores de direitos humanos sem respaldo internacional. Ela acrescentou que a omissão compromete a credibilidade dos EUA no tema e coloca “a política acima de vidas humanas”.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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