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‘Tranças no Mapa’: websérie sobre o ofício de trancista estreia em Salvador nesta terça

A iniciativa inédita no campo do direito à memória e da educação patrimonial demonstra como a arte de trançar atravessa fronteiras e ressignifica espaços urbanos
Imagem mostra as mãos de uma mulher negra, que segura uma canetinha em cima do desenho de um mapa.

Imagem mostra as mãos de uma mulher negra, que segura uma canetinha em cima do desenho de um mapa.

— Beatriz Andrade

19 de agosto de 2025

Com realização do Fios da Ancestralidade e coordenação da pesquisadora mestra e trançadeira Layla Maryzandra, o projeto “Tranças no Mapa” lança a primeira websérie dedicada ao ofício tradicional de trançar, contada pelas próprias mestras trançadeiras e trancistas do Distrito Federal e Entorno. A segunda edição da estreia acontece nesta terça-feira (19), às 17h, no Pelourinho, em Salvador, um dos territórios onde hoje o serviço de trancistas é amplamente oferecido pelas ruas. 

A websérie “Tranças no Mapa” será disponibilizada na plataforma do Programa de Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais (MESPT/UNB), consolidando-se como um registro valioso dos modos de saber e fazer de trançadeiras e trancistas.

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Dirigida e roteirizada por Layla Maryzandra e com tradução em Libras por Ana Júlia Gomes, a série documenta o saber tradicional das tranças como um legado cultural e político, reunindo histórias de mulheres principalmente do DF, mas permeia narrativas que também chegam ao Maranhão, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais entre outros estados onde estiveram trancistas interessadas no processo formativo da pesquisa.

O elenco principal é formado por Ana Akini, trançadeira mestra griô do Distrito Federal, seguida de Laodicéia Nascimento, Analice Marques, da comunidade Kalunga em Goiás, Jennifer Cruz que vêm de uma família de trancistas, além das trancistas Paula Olívio, Thanan Bicalho, Litiely Brandão e Sara Generoso. 

Dividida em três episódios: “Heranças das Tranças: O Mapa Familiar”, “Vida nas Tranças: O Mapa Cotidiano” e “Resistência e Patrimônio: O Mapa Político e Patrimonial”; a série constrói um percurso visual sobre a vida, os territórios e os desafios enfrentados por essas mulheres, em sua maioria negras, que mantêm viva a prática do trançar como forma de resistência, sustento e afirmação identitária. 

Os últimos episódios também contam a participação de trancistas de outros estados, como Rio de Janeiro, Maranhão e Salvador — o que reforça a importância dos lançamentos em diferentes territórios. 

Tranças no Mapa

Além da narrativa audiovisual, o projeto Tranças no Mapa gerou dados inéditos a partir do mapeamento realizado com base na plataforma Ushahidi e nos padrões territoriais identificados nas oficinas. Os resultados revelam o perfil sociocultural das trancistas no Distrito Federal e Entorno, com quatro indicadores sociais centrais: a maioria das participantes são jovens periféricas; grande parte delas, trançar é a única fonte de renda; muitas iniciaram no ofício por necessidade financeira, mas permanecem por vocação e herança; e, embora muitas afirmam ter aprendido sozinhas, os Mapas Afetivos revelam uma transmissão geracional marcada por saberes familiares e comunitários.

A pesquisa realizada no projeto conseguiu inserir o ofício de trançar em pautas nacionais, popularizando debates sobre sua inclusão nos saberes tradicionais brasileiros. Dessa forma, o projeto reforça a importância de reconhecer as trançadeiras como mestras de saberes, protagonistas de uma pedagogia ancestral que carrega a história em fios. Através dos nossos mapas capilares, novas páginas são escritas para a história do Brasil, a partir dos territórios onde o conhecimento é tecido com mãos, memórias e afetos. 

Lançamento em Salvador

Com mediação do jornalista e coordenador de comunicação do Tranças no Mapa, Eduardo Machado, o lançamento contará com a presença da trançadeira/trancista e mestra griô Negra Jhô – uma das primeiras trancistas do Pelourinho, da trancista  Alessandra Andrade – atua há mais de 30 anos no ofício, inicialmente no Bairro da Saúde, do coordenador de Dinamização do Centro Histórico de Salvador, Geovan Bantu, da Coordenadora Geral da pasta Memória e Verdade da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Pessoas Escravizadas do Ministério dos Direitos Humanos, Moema Carvalho, da coordenadora executiva do Comitê de Cultura da Bahia, Bia Bastos, e do superintendente do IPHAN Bahia, representação institucional do patrimônio cultural. 

Serviço

O quê: Websérie “Tranças no Mapa” estreia em Salvador 

Quando: Terça, 19 de agosto, às 17:30h 

Onde: na Praça Tereza Batista, Pelourinho 

Entrada gratuita

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