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‘Símbolo de resistência’: Rio de Janeiro celebra Dia da Pessoa Trancista

Em entrevista à Alma Preta, a vereadora Thais Ferreira conta que, para a população negra, trançar o cabelo é uma forma de sobrevivência diante do racismo
A foto mostra uma trancista fazendo tranças em uma mulher negra.

A foto mostra uma trancista fazendo tranças em uma mulher negra.

— Reprodução / Deputada Federal Dandara Tontazin

6 de junho de 2025

Neste dia 6 de junho, a cidade do Rio de Janeiro celebra o Dia da Pessoa Trancista, que homenageia Idalice Moreira Bastos, considerada uma das maiores referências da estética afro-brasileira. A data também é comemorada em outros municípios do país.

Nascida em 1950, Idalice Moreira, também conhecida como Dai, foi uma mulher negra trancista, cabeleireira, intelectual e mobilizadora social. Segundo a Câmara Municipal do Rio, ela foi vanguardista ao instituir uma abordagem reflexiva, sensível e conscientizadora sobre a condição da mulher negra junto às cabeleireiras étnicas da capital fluminense.

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Após consolidar sua carreira atendendo artistas e intelectuais do Movimento Negro em Copacabana, Dai fundou a ONG Espaço de Estética e Cultura AFRODAI. A iniciativa ofereceu  formação para mais de mil jovens em situação de vulnerabilidade e foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A data comemorativa busca destacar o papel histórico das trancistas na revalorização dos cabelos crespos e das tradições africanas em território nacional.

Em entrevista à Alma Preta, a vereadora e líder da bancada do PSOL na Câmara Municipal, Thais Ferreira, explica que as tranças vão além da estética para a comunidade negra. 

“Elas são símbolos de resistência, representatividade e beleza. Trançar os cabelos é uma forma de sobrevivência diante do racismo estrutural. É um ato de coragem que fortalece a autoestima e a identidade. Uma conexão com nossas raízes e uma forma de manter viva nossa história e legado”, conta.

A parlamentar, autora da lei que instituiu a data no Rio, destacou que esta é a primeira legislação que reconhece a importância da trancista como profissional e agente de resistência cultural afro-brasileira.

“É importante mencionar que se trata de uma legislação construída com escuta ativa de trancistas, pesquisadores e personalidades do movimento negro da cidade. Também representa um marco para o reconhecimento da economia da beleza negra como um setor estratégico”, completa.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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