Moradores da Favela do Moinho, na região central de São Paulo, denunciaram uma tentativa de demolição por funcionários da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), entidade que pertence ao governo estadual.
A área, pertencente à União, começou a ser desocupada pelo governo de São Paulo no dia 22 de abril, sob o pretexto de criação de um parque e da estação Bom Retiro. As ações de remoção acumularam registros de violência policial e se tornaram alvo de denúncia de moradores e parlamentares.
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Em entrevista à Alma Preta, Fernando Ferrari, coordenador da associação de moradores da Favela do Moinho, conta que cerca de três engenheiros e uma superintendente da CDHU informaram que iriam demolir residências, na última terça-feira (19).
“Os engenheiros informaram que eles queriam fazer a demolição de algumas casas, até para antecipar a questão da limpeza do espaço. A desculpa que eles deram foi essa”, conta.
Ferrari aponta que a ação foi logo após a tentativa de desocupação do Teatro Contêiner e entende as operações como um ato coordenado da gestão de Tarcísio Freitas (Republicanos).
“Eles usaram essa estratégia como perseguição mesmo, né? Muito articulada com a questão do Contêiner, porque aconteceu essa situação na segunda e na terça eles estavam no Moinho. A gente entende que foi uma ação arquitetada pelo governo do estado para, mais uma vez, continuar com a expulsão das pessoas pobres do centro”.
O coordenador recorda que o acordo firmado com o governo federal previa que a demolição só teria início quando a área estivesse completamente desocupada.
“Nosso posicionamento é que o governo de São Paulo cumpra o acordo firmado com o Estado, de que só haverá demolição depois que o último morador deixar o local”, completa.