PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Chef destaca poder transformador da cozinha afro-indígena na sociedade

A Yabassê e chef pernambucana ressalta como a herança culinária afro-indígena continua impactando hábitos, sabores e relações sociais, mesmo quando não é reconhecida
A chef Carmem Virginia.

A chef Carmem Virginia.

— Altar Cozinha Ancestral/Divulgação

6 de setembro de 2025

A cozinha é memória, identidade e também resistência. É com esse olhar que a chef Carmem Virginia, à frente do restaurante Altar Cozinha Ancestral, reforça a importância da gastronomia de matriz afro-indígena e como ela molda a sociedade até hoje.

Mais do que receitas, trata-se de um legado que atravessou séculos e permanece vivo em diferentes práticas do dia a dia, muitas vezes sem que as pessoas percebam sua origem.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

“O que chamamos de cozinha ancestral não é apenas sobre o prato servido, mas sobre os caminhos que ele percorreu até chegar à nossa mesa. É sobre a mandioca transformada em farinha, o azeite de dendê que dá sabor, os temperos que contam histórias. Mesmo quando alguém não sabe de onde vêm, essas tradições seguem sustentando corpos e culturas”, afirma Carmem Virginia.

Yabassê, sacerdotisa responsável pelos alimentos sagrados no candomblé, a chef vê na cozinha um ato de fé e de cura. Para ela, cozinhar é também transmitir saberes e preservar identidades que resistiram à colonização, à escravidão e ao apagamento cultural.

“A sociedade se alimenta diariamente dessa herança. Do acarajé à macaxeira, do feijão ao uso de ervas, o Brasil é atravessado por marcas da cozinha ancestral. É um patrimônio que está no prato, mas também na forma de partilhar, de reunir pessoas, de celebrar a vida. Reconhecer isso é um gesto de respeito e de reparação histórica”, completa.

Assim, Carmem Virginia mostra que a cozinha ancestral não pertence apenas ao passado, mas pulsa no presente e continua moldando o futuro, no paladar, nas relações e na memória coletiva.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Felipe Ruffino

    Felipe Ruffino é jornalista, pós-graduado em Assessoria de Imprensa e Gestão da Comunicação, possui a agência Ruffino Assessoria e ativista racial, onde aborda pautas relacionada à comunidade negra em suas redes sociais @ruffinoficial.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano