A cozinha é memória, identidade e também resistência. É com esse olhar que a chef Carmem Virginia, à frente do restaurante Altar Cozinha Ancestral, reforça a importância da gastronomia de matriz afro-indígena e como ela molda a sociedade até hoje.
Mais do que receitas, trata-se de um legado que atravessou séculos e permanece vivo em diferentes práticas do dia a dia, muitas vezes sem que as pessoas percebam sua origem.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
“O que chamamos de cozinha ancestral não é apenas sobre o prato servido, mas sobre os caminhos que ele percorreu até chegar à nossa mesa. É sobre a mandioca transformada em farinha, o azeite de dendê que dá sabor, os temperos que contam histórias. Mesmo quando alguém não sabe de onde vêm, essas tradições seguem sustentando corpos e culturas”, afirma Carmem Virginia.
Yabassê, sacerdotisa responsável pelos alimentos sagrados no candomblé, a chef vê na cozinha um ato de fé e de cura. Para ela, cozinhar é também transmitir saberes e preservar identidades que resistiram à colonização, à escravidão e ao apagamento cultural.
“A sociedade se alimenta diariamente dessa herança. Do acarajé à macaxeira, do feijão ao uso de ervas, o Brasil é atravessado por marcas da cozinha ancestral. É um patrimônio que está no prato, mas também na forma de partilhar, de reunir pessoas, de celebrar a vida. Reconhecer isso é um gesto de respeito e de reparação histórica”, completa.
Assim, Carmem Virginia mostra que a cozinha ancestral não pertence apenas ao passado, mas pulsa no presente e continua moldando o futuro, no paladar, nas relações e na memória coletiva.