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Apresentador de TV é condenado a pagar indenização de R$ 30 mil por racismo contra indígenas

TV Catraia também foi condenada e deverá fazer uma retratação pública
Raymond Klebbert de Sousa.

Raymond Klebbert de Sousa.

— Reprodução/ Youtube/Jornal Nossa Voz

11 de setembro de 2025

A Justiça Federal condenou, na quarta-feira (10), o apresentador de webTV Raymond Klebbert de Sousa e a empresa de comunicação, proprietária da TV Catraia, por discurso de ódio e racismo contra 14 etnias indígenas do Baixo Tapajós, no Pará.

A ação civil pública, iniciada pelo Ministério Público Federal (MPF), indica que as ofensas ocorreram durante a transmissão ao vivo do programa Conexão Catraia pela rede social Facebook, no dia 23 de junho de 2022.

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Segundo o MPF, ao comentar sobre o Acampamento Santarém Território Indígena, organizado pelo Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), o apresentador questionou a legitimidade da identidade étnica dos povos que participavam da mobilização. Sousa ainda se referiu aos indígenas como “inventados” e “faz de conta”, declarando que não seriam autênticos.

A decisão do juiz federal Nicolas Gabry da Silveira entendeu que as declarações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão, configurando práticas discriminatórias e racistas.

Silveira ressaltou que as falas disseminam “ideias preconceituosas e segregacionistas”, representando um ataque à dignidade, à honra e à identidade cultural das comunidades afetadas.

A sentença determinou que os réus devem, em conjunto, pagar uma indenização por dano moral coletivo de R$ 30 mil, que será destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos e à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), para ser aplicada em favor dos 14 povos indígenas afetados. 

O parecer obriga os acusados a produzir um vídeo de retratação pública, com duração mínima de dois minutos e 15 segundos e conteúdo previamente aprovado pelo MPF, reconhecendo a ilegalidade das falas discriminatórias.

A Justiça Federal também fixou que os sentenciados devem elaborar semanalmente um material informativo de valorização histórica e cultural dos povos indígenas do Baixo Tapajós, durante três meses.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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