Manifestações no Marrocos pedindo melhorias nos serviços de saúde pública, educação e o fim da corrupção chegaram ao sexto dia consecutivo nesta quinta-feira (2), após dois manifestantes terem sido mortos na noite anterior.
Desde o início das manifestações, centenas de pessoas, em sua maioria jovens, foram presas. Na noite de quarta-feira (1), dois manifestantes morreram quando a polícia abriu fogo contra um grupo que, segundo as autoridades, tentava invadir uma delegacia próxima da cidade de Agadir.
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As autoridades locais alegam que os manifestantes portavam “armas brancas” e tentaram “tomar munições, equipamentos e armas de serviço” da unidade policial.
Os atos, que têm mobilizado diversas cidades do país norte-africano, são organizados pelo grupo GenZ 212, um coletivo recentemente formado na plataforma de áudio Discord. Os organizadores do movimento permanecem anônimos.
Os manifestantes reivindicam o fim da corrupção, além de liberdade, dignidade e justiça social. Em algumas cidades, também foram registrados pedidos pela renúncia do primeiro-ministro Aziz Akhannouch.
As demandas incluem ainda reformas nos setores de educação e saúde pública, em meio a uma crescente insatisfação popular com as desigualdades sociais no país, que afetam de forma desproporcional jovens e mulheres. Relatos recentes de um caso sobre a morte de oito gestantes em um hospital público de Agadir também intensificaram a revolta da população.
Confrontos violentos e atos de vandalismo também foram registrados em cidades como Sidi Bibi e na região de Agadir, onde manifestantes incendiaram escritórios da prefeitura local, segundo relatos da imprensa e vídeos divulgados nas redes sociais.
Diante dos episódios de violência, o GenZ 212 reiterou o caráter pacífico do movimento e repudiou “todas as formas de violência, vandalismo ou tumulto”.
Primeiro-ministro confirma três mortes durante protestos
Ainda nesta quinta-feira (2), o primeiro-ministro do Marrocos, Aziz Akhannouch, confirmou a morte de três pessoas durante os protestos. Este foi seu primeiro pronunciamento público desde o início da onda de manifestações, que já dura quase uma semana.
“Infelizmente, registramos a morte de três pessoas durante os protestos”, declarou Akhannouch, classificando os episódios como “lamentáveis”.
Com informações da Agence France Presse (AFP)