O Fundo Agbara lançou o edital “Descansa Nêga”, que segue com inscrições abertas até 7 de outubro de 2025, às 20h (horário de Brasília). A iniciativa vai selecionar cinco mulheres negras de todo o Brasil para vivenciarem uma experiência de descanso, reconexão e fortalecimento emocional. Acesse o formulário de inscrição clicando aqui!
Segundo o regulamento, cada contemplada poderá escolher o destino da viagem dentro do território brasileiro e levar uma pessoa como acompanhante. A proposta é que a experiência aconteça em espaços acolhedores e em contato com a natureza, reafirmando que mulheres negras têm direito ao lazer, ao autocuidado e ao bem-viver.
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O lançamento do edital marca os cinco anos do Fundo Agbara — completados em setembro. A organização atua no fortalecimento político, cultural e social de mulheres negras.
Além disso, a instituição também vive uma reformulação da marca, que se destaca tanto pela linguagem quanto pelo posicionamento estratégico. O objetivo é reforçar a centralidade do bem-viver, do cuidado e da justiça econômica e climática como eixos orientadores.
Para a gerente institucional e de projetos do Fundo, Jessica Gonçalves, reconhecer o descanso como direito é também um gesto de reparação histórica e de justiça social, já que a privação dessas experiências não decorre de escolhas individuais, mas “resultado de uma estrutura racista e patriarcal que nos sobrecarrega”.
“Quando se discute sobre direitos para mulheres negras no Brasil, pouco se vê no debate público abordarem o descanso, o lazer e o cuidado como um direito”, afirma, em entrevista à Alma Preta.

O bem-viver como prática política
O edital vai além de oferecer descanso, já que ele materializa os princípios do “Manifesto Agbara pelo Bem Viver”, que propõe um pacto radical pela vida, rompendo com o patriarcado, o racismo estrutural e o capitalismo excludente.
Para a organização, o bem-viver articula justiça social, cuidado, coletividade e respeito à natureza, oferecendo alternativas a um modelo de desenvolvimento predatório. Na prática, o edital coloca essas ideias em ação.
“O Descansa Nêga garante às mulheres negras acesso a territórios saudáveis, descanso, cura e reconexão com seus corpos, suas comunidades e a natureza”, explica.
A iniciativa também reposiciona o lazer e o cuidado como dimensões estruturantes da vida, e não privilégios ocasionais. “Cuidar de si não é luxo, mas condição de existência e de continuidade das nossas lutas coletivas”, defende.
Impacto coletivo e individual
Ao incluir o lazer e o prazer entre os direitos das mulheres negras, o Fundo inaugura uma frente inédita de políticas reparatórias, reconhecendo que o cuidado consigo mesmo é também um ato político, sobretudo para quem carrega as maiores sobrecargas domésticas, laborais e comunitárias.
A proposta é que sociedade e formuladores de políticas públicas passem a considerar o lazer, o cuidado e a pausa como dimensões essenciais para garantir equidade e dignidade às mulheres negras no país.
“Ao reconhecer o direito ao lazer, o Fundo inaugura uma nova frente de debate e de prática reparatória. Afinal, viver com dignidade não é apenas sobreviver, mas também pausar, respirar e cuidar de si”, finaliza.