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Série reúne vozes da Amazônia para discutir desafios sociais e ambientais da região

A produção terá evento de lançamento em 28 de outubro, no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, e estreia nacional no mesmo dia, no SescTV
Imagem aérea da série documental "São Florestas" mostra a floresta amazônica com parte das árvores derrubadas.

Imagem aérea da série documental "São Florestas" mostra a floresta amazônica com parte das árvores derrubadas.

— Divulgação/Santa Rita Filmes

12 de outubro de 2025

A Amazônia é território de vida e de urgências. Entre rios que se espalham como veias e comunidades que resistem em silêncio ou canto, nascem as histórias reunidas na série documental “São Florestas”. Dirigida pelo jornalista e escritor Miguel De Almeida, a produção do SescTV conta com 17 episódios e estreia em 28 de outubro, com um convite a olhar a floresta pelo prisma de quem nela habita.

A série não se organiza como narrativa única, mas como um mosaico de vozes. Povos originários, comunidades ribeirinhas, pesquisadores e lideranças sociais compõem um panorama que evidencia a Amazônia em múltiplas camadas. No momento em que o Brasil se prepara para sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), a série reforça o coro ao recolocar a floresta no centro do debate: um território que abriga riquezas naturais e culturais, e, ao mesmo tempo, enfrenta desigualdades históricas e pressões globais.

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Para o diretor Miguel De Almeida, a Amazônia exige um olhar que transcende mapas políticos e abrace sua dimensão planetária. Inspirado por Humboldt, ele enxerga o bioma como parte de um organismo terrestre indivisível: “Somos um só sistema, um único corpo. A natureza passa sobre os desenhos humanos para ser uma única estrutura: a Terra”. A série equilibra essa macrovisão com o retrato íntimo das comunidades tradicionais, guardiãs dessa riqueza natural e cultural, reafirmando a floresta como protagonista de um debate urgente para todo o planeta.

Lançamento em São Paulo e estreia na TV

O evento de lançamento de “São Florestas” acontece no dia 28, no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, às 19h, com um bate-papo entre o diretor da série, o meteorologista Carlos Nobre e a comunicadora Adriana Ramos.

Entre ciência, ativismo e narrativa, o bate-papo abre a primeira exibição pública da série, com o episódio “Cidades e Comunidades Sustentáveis”, que apresenta Afuá, a cidade suspensa sobre palafitas, onde bicicletas substituem carros e as marés definem o ritmo da vida, mostrando que tradição e inovação convivem em meio a tensões sociais e ambientais.

A entrada é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes na bilheteria da unidade.

Às 20h da mesma data o SescTV estreia a série em sua programação com o episódio “Pobreza x Abundância”. A narrativa se abre com a extrativista Raimunda Rodrigues, da Reserva Extrativista do Rio Iriri, no Pará, que conta como o trabalho com o babaçu é uma tradição familiar, iniciada há muitas gerações. “A gente conseguiu não só alimentar nossa família e os ribeirinhos, mas também comercializar e ter uma renda maior para a comunidade”. Em suas mãos, o fruto da palmeira se converte em farinha, óleo e sustento. O gesto carrega não apenas sobrevivência, mas também uma economia silenciosa, mantida pelo ritmo da floresta.

Na mesma trama, o engenheiro agrônomo Beto Veríssimo, do projeto Amazônia 2030, contrapõe números à experiência cotidiana. Para ele, o desmatamento perpetua a pobreza. O que parece crescimento — a expansão da fronteira agrícola, o extrativismo acelerado — revela-se um ciclo de devastação e terra improdutiva, deixando quase metade da população amazônica abaixo da linha da pobreza. Ao lado desses relatos, a voz de Patrícia Cota, do Origens Brasil, reforça outra perspectiva: a de que proteger a floresta passa por valorizar o trabalho de quem dela cuida.

Os episódios da série percorrem temas que dialogam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda global estabelecida pela ONU em 2015 para enfrentar desafios como pobreza, desigualdade e mudanças climáticas até 2030. Inspirados nos 17 ODS, os capítulos exploram desde o acesso a saneamento básico e energia limpa até a preservação da vida terrestre e aquática, passando pela igualdade de gênero, a educação e a justiça social.

Cada episódio é uma tentativa de costurar narrativas — entre a voz da floresta e as urgências do presente — em busca de caminhos que possam sustentar um futuro possível.

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