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Mundo precisa zerar desperdício de alimentos para combater fome e mudanças climáticas, diz ONU

No Dia Internacional da Conscientização sobre a Perda de Alimentos, a ONU alerta que um terço da comida produzida no mundo nunca é consumida, o que agrava a insegurança alimentar e gera até 10% das emissões de gases de efeito estufa
Imagem mostra duas pessoas segurando uma marmita de comida.

Imagem mostra duas pessoas segurando uma marmita de comida.

— Reprodução/Governo de Pernambuco

29 de setembro de 2025

Neste 29 de setembro, Dia Internacional para Conscientização da Perda de Alimentos e Redução do Desperdício, a Organização das Nações Unidas (ONU) chama atenção para o impacto da perda e do desperdício de comida em escala global. Enquanto 735 milhões de pessoas passam fome, mais de 1 bilhão de refeições são jogadas no lixo diariamente.

A Assembleia Geral da ONU reconheceu o tema como prioridade em 2019, ao aprovar a resolução 74/209, que instituiu a data. O objetivo é promover ação coletiva para reduzir o desperdício e as perdas ao longo das cadeias de produção e consumo.

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Segundo dados divulgados pelas Nações Unidas,  13,2% da produção global de alimentos se perde entre a colheita e a chegada ao varejo. Outros 19% são desperdiçados em casas, restaurantes e supermercados. Somente os lares respondem por 60% desse volume.

Em 2021, cerca de 1,25 bilhão de toneladas de alimentos se perderam após a colheita, antes de alcançar as prateleiras. Já em 2022, outros 1,05 bilhão de toneladas foram desperdiçados por consumidores e estabelecimentos comerciais.

As consequências refletem diretamente nos preços, na insegurança alimentar e no acesso a nutrientes. Em 2023, cerca de 2,33 bilhões de pessoas estavam em situação de insegurança alimentar moderada ou severa, o equivalente a 28,9% da população mundial.

O resultado é que aproximadamente um terço de todos os alimentos produzidos para consumo humano nunca chega a ser consumido, enquanto uma em cada 11 pessoas no planeta enfrenta a fome.

Impacto ambiental e econômico

A perda e o desperdício de alimentos vão além da questão humanitária. A prática representa um enorme gasto de recursos naturais, como água, terra e energia, além de mão de obra e capital. 

Quando os alimentos são descartados em aterros sanitários, sua decomposição gera metano, um potente gás de efeito estufa. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), estima-se que o desperdício alimentar seja responsável por 8% a 10% de todas as emissões globais que contribuem para o aquecimento do planeta.

A perda e o desperdício também significam uso ineficiente de recursos como terra, água, energia, mão de obra e capital, afetando a sustentabilidade de sistemas agroalimentares.

Chamado global para ação

A redução do desperdício de alimentos está consagrada como uma meta crucial nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A Meta 12.3 visa reduzir pela metade, até 2030, o desperdício de alimentos per capita em nível de varejo e do consumidor, e reduzir as perdas ao longo das cadeias de produção e abastecimento.

Com apenas cinco anos restantes para atingir a meta, a ONU reforça que a ação precisa ser acelerada. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lideram os esforços globais e convocam governos, setor privado e sociedade civil a adotar novas tecnologias e boas práticas para maximizar o uso da produção alimentar.

Apesar da urgência, o financiamento para combater o problema permanece muito aquém do necessário. Em 2019/2020, apenas US$ 0,1 bilhão (R$ 531,8 milhões) foram investidos, um valor muito distante dos US$ 48 (R$ 256,5) a US$ 50 bilhões (R$ 267 bilhões) anuais estimados como indispensáveis para enfrentar a questão de forma eficaz.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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