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Museu dedicado à memória de periferia é inaugurado em Santos (SP)

Espaço vivo de memória e resistência reúne histórias do bairro São Manoel e celebra 15 anos de parceria entre comunidade e Instituto Elos
Bairro São Manoel, localizado na zona noroeste da cidade de Santos, Baixada Santista, SP, Brasil, 30 de julho de 2025.

Bairro São Manoel, localizado na zona noroeste da cidade de Santos, Baixada Santista, SP, Brasil, 30 de julho de 2025.

— Felipe Beltrame/Matume Produções/Instituto Elos

19 de outubro de 2025

O Museu Comunitário do Jardim São Manoel, em Santos (SP), foi inaugurado neste sábado (18). O local é um espaço vivo de memória, pertencimento e resistência, além de um encontro entre histórias individuais que se conectam em um tecido coletivo de luta e afeto.

A inauguração do museu é fruto de uma parceria de 15 anos entre o Instituto Elos e a comunidade local, construída a partir de uma metodologia que valoriza o potencial das pessoas, o sentimento de pertencimento e o protagonismo coletivo.

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Ao longo dessa trajetória, a relação entre moradores e o Elos inspirou transformações concretas, como a criação da Horta Bons Frutos e o fortalecimento de associações comunitárias voltadas à luta pelo direito à moradia e ao desenvolvimento do território.

“O Museu Comunitário é um marco simbólico de uma história feita em conjunto, onde cada moradora e morador é também autor e guardião da sua própria narrativa”, afirma Natasha Gabriel, cofundadora e diretora de projetos do Instituto Elos.

Segundo Natasha, o Jardim São Manoel se tornou um território símbolo da Metodologia Elos, que orienta a forma como o instituto constrói relações com comunidades em todo o mundo. Essa metodologia estabelece um plano de assessoramento técnico pautado no reconhecimento do potencial existente nos territórios, acreditando que a transformação começa quando se valoriza o que já é forte e abundante: as pessoas, os saberes, os afetos e as soluções que nascem da vida cotidiana.

O pertencimento se constrói a partir do encontro e da escuta, nas rodas de conversa, nos mutirões e nas celebrações que fazem cada pessoa se sentir parte de algo maior. E o protagonismo transforma esse sentimento em prática, quando os próprios moradores passam a decidir, criar e realizar coletivamente.

“A relação entre o Elos e o Jardim São Manoel é o retrato vivo dessa metodologia em ação. Aqui, a transformação nasce do reconhecimento do potencial das pessoas e do território, do pertencimento que fortalece vínculos e do protagonismo que coloca a comunidade no centro das decisões. O São Manoel consolidou essa forma de fazer porque, ao longo dos anos, cultivou confiança, sonhos e resultados concretos. O museu é um símbolo dessa caminhada coletiva”, completa Natasha. 

Histórias que guardam o tempo

O Museu Comunitário do Jardim São Manoel nasce da convicção de que a memória é um direito e um ato político. Reunindo cartografias afetivas, fotos, objetos e depoimentos, o espaço convida o público a caminhar pelas ruas do bairro e ouvir as vozes que guardam o tempo. São histórias que revelam a força cotidiana de quem ergueu casas, criou festas e construiu, com solidariedade, o sentido de comunidade.

O projeto faz parte da iniciativa Diálogos Construtivos, realizada pelo Instituto Elos, pela Associação de Moradores da Rua João Carlos da Silva, pela Associação de Moradores do Bairro São Manoel e com apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU-SP).

“Cada casa, cada rua, cada celebração do São Manoel é parte de um acervo vivo. O museu é a expressão de uma história que continua sendo escrita todos os dias”, destaca Vitória Santos, socióloga e facilitadora do projeto.

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