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Jogador vítima de injúria racial recebe punição maior do que infrator no Paraná

O zagueiro do Nacional, Paulo Vitor, está suspenso por dez jogos após reagir com agressão física à injúria racial do ex-volante Diego, do Batel
Paulo Vitor, do Nacional-PR, foi vítima de injúria racial por parte de Diego, do Batel, em Guarapuava (PR), 4 de outubro de 2025.

Paulo Vitor, do Nacional-PR, foi vítima de injúria racial por parte de Diego, do Batel, em Guarapuava (PR), 4 de outubro de 2025.

— Reprodução/FPF

22 de outubro de 2025

A 2° comissão disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR), puniu na terça-feira (21) o volante Diego Gustavo Rodrigues do Batel, com suspensão de sete partidas e multa de 2 mil por injúria racial contra o zagueiro Paulo Vitor, durante partida entre Batel e Nacional, pela Taça FPF, que ocorreu no dia 4 de outubro. 

Por decisão da maioria dos votos do tribunal, a vítima da injúria também foi punida. Paulo Vitor recebeu uma suspensão maior do que o autor do ato. O atleta está suspenso de dez partidas, quatro por agredir Diego com um soco e seis por cuspir no adversário.

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O caso ocorreu durante a partida entre Batel Guarapuava e Nacional, pela Taça FPF, em Guarapava (PR). Durante uma discussão em campo,    Diego chamou o zagueiro de “macaco”. Em reação à ofensa racista, Paulo Vitor desferiu um soco no adversário, que caiu no gramado e precisou de atendimento médico. 

Após quatro horas de sessão, o TJD-PR chegou a decisão do caso. O volante Diego, da equipe Guarapava, alegou que não chamou o zagueiro Paulo Vitor, conhecido como PV, de “macaco”, e sim de “malaco”. A comissão analisou imagens e testemunhas, e decidiu, por unanimidade, aplicar a punição.

Segundo o artigo 234-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBDJ), atos discriminatórios podem chegar a pena de até dez jogos de suspensão e multa de até R$ 100 mil.

Na sessão, Paulo Vitor negou ter cuspido em Diego, mas os auditores se basearam nas provas de fotos e vídeos para confirmar a acusação. O zagueiro também declarou que no momento do ocorrido o sentimento foi de “inferioridade” e de “impotência”.

Embora a agressão tenha sido uma reação à injúria racial, os auditores afirmaram que isso não justificava a absolvição. Por maioria de votos (3 a 1), aplicaram a pena mínima prevista no artigo 254-A do CBJD que corresponde a agressão física, com suspensão entre quatro e 12 partidas. Também pelo artigo 254-B, sobre cuspir em outrem, a pena varia de seis a 12 partidas.

Somadas as duas infrações, Paulo Vitor recebeu a suspensão de dez jogos, maior do que a aplicada a Diego, mesmo sendo ele a vítima do crime racial.

Durante o julgamento, o Batel também foi denunciado por omissão, acusado de tentar esconder o jogador Diego após a confusão. No entanto, por ter demitido o atleta no dia seguinte e se posicionado contra o ocorrido nas redes sociais, o clube foi absolvido por unanimidade e segue na disputa da Taça FPF.

Relembre o caso 

O jogador Paulo Vitor, do Nacional-PR, foi vítima de ofensas racistas durante partida entre Batel Guarapuava e Nacional, pela Taça FPF, em Guarapuava (PR). O volante Diego, do Batel, chamou Paulo de “macaco” durante uma discussão em campo. Em reação à injúria racial, Paulo Vitor desferiu um soco no adversário, que caiu no gramado e precisou de atendimento médico. 

O árbitro Diego Ruan Pacondes da Silva aplicou o protocolo antirracismo da Federação Internacional de Futebol (FIFA), cruzando os braços em “X” e interrompendo a partida por 18 minutos. O incidente foi registrado na súmula. A partida terminou com vitória do Batel por 1 a 0, garantindo sua classificação e a eliminação do Nacional-PR.

Após a partida, Paulo Vitor registrou um boletim de ocorrência ainda no estádio e se manifestou em publicação nas redes sociais: “Não sou a favor da violência, mas parece que só assim eles sentem na pele. Quem é da cor vai entender minha reação. Espero que a justiça seja feita e que casos como esse não sejam julgados como vitimismo. Fogo nos racistas”, escreveu.

O Batel emitiu duas notas oficiais: uma informando que tomaria todas as medidas cabíveis, e outra comunicando a demissão imediata de Diego. “O atleta envolvido foi imediatamente desligado de suas atividades e não integra mais o elenco profissional”, disse o clube.

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  • Thayná Santana

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