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Bancada Feminista aciona MP para apurar censura de exposição sobre funk em SP

Documento protocolado pela Bancada Feminista do PSOL questiona o fechamento da mostra "FUNK: Um Grito de Ousadia e Liberdade" após críticas de parlamentares e aponta possível violação de direitos culturais
Vista da exposição "FUNK: Um grito de ousadia e liberdade", no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Vista da exposição "FUNK: Um grito de ousadia e liberdade", no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

— Divulgação/Wellington Almeida

17 de junho de 2026

A Bancada Feminista do PSOL apresentou uma representação ao Ministério Público do Estado de São Paulo contra o encerramento antecipado da exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”. O pedido, protocolado na segunda-feira (15), solicita a instauração de procedimento administrativo para apurar os motivos da interrupção da mostra.

O documento sustenta que o encerramento ocorreu após manifestações públicas de agentes políticos, em particular do deputado estadual Tenente Coimbra (PL-SP). O parlamentar publicou críticas à exposição em redes sociais e protocolou uma denúncia no Ministério Público na qual acusou a mostra de fazer “apologia à narcocultura”.

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A exposição, que estava em cartaz no Museu da Língua Portuguesa, na capital paulista, desde novembro de 2025, tinha previsão de permanência até agosto de 2026, mas foi encerrada em 31 de maio.

A representação aponta que o encerramento afeta tanto o público, ao interromper o acesso a uma manifestação cultural, quanto o orçamento público, com prejuízos financeiros decorrentes do planejamento já executado. 

O documento também alerta para uma possível resposta a “apelos atentatórios ao direito à cultura de grupos sociais relevantes associados à cultura do funk“.

Leia mais: Artistas e movimentos culturais denunciam racismo em leis que criminalizam o funk e o rap

Os pedidos da Bancada Feminista ao Ministério Público

A Bancada Feminista do PSOL requer do Ministério Público a instauração de procedimento administrativo para apurar os fatos relacionados ao encerramento antecipado da exposição. 

O pedido inclui a requisição de informações ao Museu da Língua Portuguesa, à sua entidade gestora e aos órgãos públicos competentes sobre as razões que fundamentaram a alteração do período originalmente previsto para a mostra.

Também foi solicitada a obtenção dos documentos administrativos pertinentes à definição, alteração e encerramento da programação da exposição. As representantes pedem ainda a apuração da eventual existência de interferências por parte do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, incompatíveis com a autonomia técnica e cultural da instituição.

A Bancada requer, por fim, a verificação da observância dos direitos culturais, da liberdade de expressão artística e dos princípios da administração pública no processo decisório que culminou com o encerramento antecipado da exposição. 

O documento enfatiza que a divergência política, ideológica, estética ou moral em relação a uma manifestação cultural não pode, por si só, justificar sua supressão ou restrição.

Curadora denuncia censura e fala em “ataque sistemático”

A curadora da mostra, Renata Prado, chegou a publicar uma carta aberta nas redes sociais, no dia 2 de junho, na qual classifica o encerramento como censura. De acordo com seu relato, o fim antecipado ocorreu depois que “começaram a surgir vídeos e manifestações de parlamentares da extrema direita atacando a mostra e associando seu conteúdo à apologia ao crime, às drogas e à narcocultura”.

“É censura. E existe uma dimensão profundamente simbólica nesse episódio. Estamos falando de uma exposição realizada no Museu da Língua Portuguesa, uma instituição dedicada à valorização das múltiplas formas de expressão que compõem nossa cultura”, escreveu a curadora.

Leia mais: Voz das periferias, Funk precisa ser valorizado em vez de criminalizado

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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