O Conselho Missionário Indigenista (CIMI) relatou, nesta segunda-feira (27), a presença da Tropa de Choque da Polícia Militar na Fazenda Itapuitã, em área sobreposta à Terra Indígena Guyraroká, na cidade de Caarapó (MS). A área está em processo de retomada pelos Kaiowá e Guarani desde setembro.
Em comunicado, o conselho indica que a Justiça Federal emitiu, no último sábado (25), um mandado determinando a atuação da PM e o deslocamento urgente do Comando da Polícia Militar ao local. De acordo com a entidade, os agentes chegaram ao amanhecer.
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“Ocorre que as Forças de Segurança Pública estaduais estão no local desde o início da retomada, em 21 de setembro, acumulando investidas violentas contra os indígenas”, diz trecho da nota.
Conforme relata o conselho, houve um conflito no sábado (25), no qual homens armados provocaram focos de incêndio. Desta vez, não houve feridos. O Cimi destaca que a presença ostensiva de forças de segurança estaduais abre margem para o aumento da violência, considerando o histórico de violência das polícias com os povos indígenas.
No entanto, o plantão judicial acusou a comunidade de causar os incêndios nos maquinários, casas e vegetação. Em trecho da decisão a Justiça destaca que aproximadamente 80 indígenas entraram na propriedade rural e incendiaram as construções.
“Foram os próprios pistoleiros que atearam fogo na mata, e o fogo se alastrou. Fizeram isso para nos incriminar. A polícia filmou com drone e depois divulgou as imagens para nos criminalizar. É uma ação combinada”, declarou um morador da comunidade à Cimi.
Os indígenas Guarani e Kaiowá iniciaram a retomada para denunciar o uso intencional e descontrolado de agrotóxicos contra suas comunidades. Segundo o conselho, o território indígena foi declarado pelo Estado brasileiro em 2011 e já sofreu com violências decorrentes de conflitos fundiários, como remoções forçadas, ameaças, agressões e atropelamentos.
Um dia após o início da retomada, em 22 de setembro, a Tropa de Choque realizou uma ação violenta na comunidade, que feriu idosos, crianças e jovens com balas de borracha.