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‘Narrativas Negras Não Contadas’ lança 2ª edição para ampliar protagonismo de criadores negros no audiovisual

Iniciativa pioneira na América Latina acompanha todas as etapas de formação, desenvolvimento e produção de curtas de profissionais negros
Evento de lançamento da segunda edição do "Narrativas Negras Não Contadas – Black Brazil Unspoken", em São Paulo, em 10 de novembro de 2025.

Evento de lançamento da segunda edição do "Narrativas Negras Não Contadas – Black Brazil Unspoken", em São Paulo, em 10 de novembro de 2025.

— Julia Nicácio/Alma Preta

16 de novembro de 2025

A Warner Bros. Discovery (WBD) lançou, na segunda-feira (10), a segunda edição do programa de aceleração de talentos “Narrativas Negras Não Contadas – Black Brazil Unspoken”. O evento marcou a estreia de três novos curtas documentais desenvolvidos por realizadores negros brasileiros: “Meu Nome É Tiana”, “Camisa 9” e “Melodia Ancestral”. As produções já estão disponíveis na HBO Max e no canal HBO.

O lançamento, realizado em São Paulo, celebrou o encerramento de um ciclo de formação e mentoria voltado à criação e produção de obras originais, com a presença de participantes, mentores e representantes da WBD e da Endemol Shine Brasil, produtora responsável pela execução do projeto.

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Inspirado em um programa homônimo do Reino Unido, o Narrativas Negras Não Contadas foi adaptado ao contexto brasileiro em 2023. Desde então, tornou-se a única iniciativa na América Latina que acompanha todas as etapas de formação, desenvolvimento e produção de curtas documentais criados por profissionais negros.

Para Haynabian Amarante, sócia e COO da Hustlers.br, agência responsável pela concepção criativa do evento de lançamento, a adaptação conceitual foi um exercício de identidade e pertencimento.

“Desde o início, definimos duas premissas fundamentais: trazer essa narrativa para a nossa realidade e construir tudo com um time 100% formado por pessoas pretas. O conceito visual nasceu de uma releitura da bandeira de Abdias do Nascimento, símbolo potente da diáspora africana, reinterpretada com cores e texturas que celebram nossa diversidade e as riquezas culturais do Brasil. Essa essência também se traduz no propósito do programa: valorizar nossas riquezas intelectuais e potencializar novas histórias”, explica.

Mais de 500 pessoas se inscreveram no processo seletivo para a segunda edição e dez foram selecionadas para participar do ciclo formativo remunerado, que combinou oficinas, mentorias e apoio de produção. Ao final, três projetos foram escolhidos para serem produzidos e exibidos nacionalmente. A WBD contou com a parceria do WIP Narrative Design Studio para formatar e operacionalizar o programa.

Para Adriana Cechetti, diretora de Produção e Desenvolvimento de Não-Ficção da WBD Brasil, o amadurecimento do programa reflete um impacto real na formação de novos talentos. “Nosso propósito segue o mesmo: oferecer suporte para que vozes diversas contem suas histórias com sensibilidade, verdade e impacto. É muito emocionante acompanhar o lançamento desses novos curtas e ver como cada projeto ganhou forma ao longo do processo”, declarou.

Os curtas e suas histórias

Os três curtas desta edição abordam temas como identidade, memória, fé e resistência, a partir de olhares pessoais e politizados sobre a experiência  do negro no Brasil contemporâneo.

“Camisa 9”: Dirigido por Guilherme Baptista, o curta revisita um programa esportivo de televisão apresentado por três jornalistas negros no Rio de Janeiro, no final dos anos 1980, o “Camisa 9”. A obra reconstrói essa mesa redonda pioneira com a presença de um de seus fundadores, Luiz Orlando Baptista, destacando o papel desses comunicadores na transformação da linguagem esportiva nacional e na afirmação de referências negras na mídia.

Melodia Ancestral”: De Beatriz Costa, o filme parte de um acervo íntimosobre a trajetória do avô da diretora, o maestro negro Antônio Nascimento, que conduzia uma orquestra popular entre os anos 1950 e 1980. O filme costura passado e presente para refletir sobre as ausências e silenciamentos na história da música popular brasileira e a importância de preservar o legado artístico da população negra.

Meu Nome É Tiana”: Dirigido por Dafny Bastet, em parceria com o coletivo House of Bastet, acompanha Tiana, travesti negra de 92 anos e moradora de Governador Valadares (MG). Ao registrar sua rotina marcada pela fé e convivência comunitária, o documentário põe em cena uma trajetória que desafia as estatísticas de violência contra pessoas trans, celebrando sua longevidade, resistência e acolhimento.

Além da disponibilidade na HBO Max e HBO desde 10 de novembro, os curtas terão exibições em canais da Warner Bros. Discovery ao longo do mês, ampliando o alcance das obras. O filme “Camisa 9” será exibido na TNT, no dia 17, às 20h, enquanto “Meu Nome é Tiana” vai ao ar na TLC no dia 18, às 23h50. Já “Melodia Ancestral” poderá ser visto no Cinemax no dia 21, às 22h30.

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  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

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