Nesta quinta-feira (13) a organização Habitat para a Humanidade Brasil lança, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém (PA), o relatório “Sem Moradia Digna, Não Há Justiça Climática. O estudo apresenta dados que relacionam a crise climática à habitacional no país.
A publicação analisa como a desigualdade racial e territorial amplia a vulnerabilidade de populações urbanas diante de desastres ambientais abordando três dimensões, a adaptação, as perdas e danos e a reconstrução.
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Com informações de 129 cidades brasileiras, o relatório aponta que 66,58% da população residente em áreas de risco é negra e 37,37% dos domicílios são chefiados por mulheres. Outros 5,53% têm baixa escolaridade.
A renda média nesses territórios é de R$ 2.127, valor 45% inferior à média geral das cidades analisadas. Além disso, 20,29% dos domicílios não têm acesso à rede de esgoto e 2,41% estão sem coleta adequada de lixo. A organização destaca que os índices demonstram a relação profunda entre a vulnerabilidade urbana e a desigualdade racial.
Para a gerente de Incidência Política da entidade Raquel Ludermir, os dados evidenciam a urgência de políticas públicas que integrem moradia, meio ambiente e justiça social. Em nota, ela explica que a população negra é a mais afetada pela combinação entre desigualdade e risco ambiental.
“Essas desigualdades revelam como o racismo ambiental e a crise habitacional empurram os grupos mais vulnerabilizados para áreas de risco, e quanto mais gente morando em área de risco, piores vão ser os efeitos da crise climática e eventos extremos. É um ciclo vicioso. É por isso que defendemos que não é possível falar de justiça climática sem tratar da questão da moradia”, declarou Ludermir, em nota à imprensa.