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Marcha das Mulheres Negras anuncia programação oficial; confira

Programação inclui sessão solene no Congresso, audiência no STF, shows gratuitos, atividades com mulheres negras de todo o mundo e grande Marcha em Brasília
Mulheres negras durante manifestação.

Mulheres negras durante manifestação.

— Fran Silva/Divulgação

22 de novembro de 2025

Na próxima terça-feira, dia 25 de novembro, Brasília recebe a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, dez anos após a histórica Marcha Nacional de 2015, que levou mais de 100 mil mulheres negras às ruas da capital. A edição de 2025 se afirma como resposta ao aprofundamento das desigualdades, reafirmando a urgência de um país comprometido com reparação histórica, justiça social e um futuro de dignidade e cuidado. São esperadas mulheres de todas as regiões do Brasil e de mais de 40 países. 

A programação começa às 9h, com Sessão Solene no Congresso Nacional, em homenagem à Marcha e ao papel decisivo das mulheres negras na democracia brasileira. O momento contará com a presença de parlamentares como as deputadas federais Benedita da Silva (PT-RJ), Talíria Petrone (PSOL-RJ) e Célia Xakriabá (PSOL-MG), além de lideranças de movimentos negros.

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Joyce Souza, coordenadora do Odara Instituto da Mulher Negra, resume o espírito deste momento ao afirmar: “a participação política das mulheres negras é parte da nossa agenda de reparação: somos 28% da população, mas apenas 2% do Congresso. Estar aqui é disputar o Estado e afirmar que a democracia só existe conosco”. 

Às 10h, milhares de mulheres marcham pela Esplanada dos Ministérios. Para Valdecir Nascimento, fundadora do Odara, que também compõe a coordenação da Rede de Mulheres Negras do Nordeste, estar em marcha significa, nas palavras dela, “marchar no sentido literal, porque as ruas são o nosso lugar. Não marchamos simbolicamente; marchamos por reparação, contra o racismo, contra a violência e por um outro modelo de sociedade, por um Estado democrático de fato”.

Ao longo do percurso, Brasília se torna a capital dos sonhos das mulheres negras: um território onde cada história conta e cada sonho importa. 

Já à noite, às 19h30, representantes da Marcha serão recebidas em audiência pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. A comitiva levará ao STF a urgência de enfrentar a política de segurança pública no Brasil, especialmente após a recente chacina na Penha, no Rio de Janeiro.

Como afirma a professora Janira Sodré, historiadora e ativista do Comitê Impulsor Nacional da Marcha das Mulheres Negras, “o episódio evidencia, de forma trágica e perversa, o quanto ainda precisamos, como país, enfrentar a segurança pública para produzir significados verdadeiramente republicanos sobre a vida do povo negro brasileiro, da juventude negra e das mulheres negras. É uma agenda central para o acesso à justiça, para o direito à vida e para reafirmarmos a nossa recusa em morrer”. 

Também no decorrer do dia 25, montada na área externa do Museu Nacional, a Feira das Ganhadeiras mobiliza afroempreendedoras de todas as regiões do país, fomentando a circulação de saberes e economia criativa na Marcha. O nome faz uma homenagem às mulheres negras escravizadas ou libertas que sustentaram famílias e comunidades por meio do trabalho nas ruas, comercializando alimentos, serviços e conhecimentos, muitas vezes garantindo, com esse esforço, a compra da própria liberdade e de outras pessoas negras. 

A partir das 15h, na área externa do Museu Nacional, vozes negras ecoam em uma série de shows gratuitos com Larissa Luz – intérprete do jingle oficial “Mete marcha negona, rumo ao infinito” – Luana Hansen, Célia Sampaio e Núbia, Prethaís e Ebony. A programação segue até às 21h30, com espaço sujeito à lotação. 

Para mais informações sobre a Marcha das Mulheres Negras, acesse o site oficial do movimento.

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