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G20 encerra cúpula na África do Sul com defesa do multilateralismo e críticas ao isolamento dos EUA

Líderes alertam para "ruptura" na ordem global e reforçam papel de economias emergentes, em resposta ao unilateralismo estadunidense
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda), discursa durante uma coletiva de imprensa após o encerramento da Cúpula de Líderes do G20 no Centro de Exposições Nasrec, em Joanesburgo, em 23 de novembro de 2025.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda), discursa durante uma coletiva de imprensa após o encerramento da Cúpula de Líderes do G20 no Centro de Exposições Nasrec, em Joanesburgo, em 23 de novembro de 2025.

— Julie Bourdin/ AFP

24 de novembro de 2025

Os líderes do G20 concluíram neste domingo (23) a reunião de cúpula em Joanesburgo, na África do Sul, com um discurso firme em defesa do multilateralismo, em um cenário marcado pela ausência dos Estados Unidos e por disputas crescentes na ordem internacional. A conferência reuniu dezenas de chefes de Estado das maiores economias do mundo, incluindo Brasil, China, Índia, União Europeia, Japão, Austrália e Turquia.

No texto aprovado no sábado (22), os países reconheceram que se encontram “em um contexto de crescente competição e instabilidade geopolítica e geoeconômica, intensificação de conflitos e guerras, aprofundamento da desigualdade, aumento da incerteza econômica global e fragmentação”.

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O presidente sul-africano e anfitrião da cúpula, Cyril Ramaphosa, afirmou que o grupo reforça “o valor e a relevância do multilateralismo”, apesar das pressões contrárias. A declaração representou uma vitória diplomática da presidência sul-africana, especialmente porque Washington buscava impedir qualquer manifestação formal do G20.

A ONG Oxfam classificou em nota o resultado como um “exemplo ao mundo”, já que os países conseguiram aprovar um documento coletivo mesmo diante da oposição estadunidense.

“Multilateralismo está mais do que vivo”, afirma Lula no G20

O presidente Lula (PT) declarou que os encontros recentes — incluindo a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) e a própria cúpula na África do Sul — demonstram que o multilateralismo segue ativo e relevante. Para o presidente, a articulação entre países do Sul Global se fortalece diante de um cenário de disputas entre grandes potências.

Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, afirmou que o mundo enfrenta “uma ruptura”, e não uma transição, e defendeu que o G20 assuma protagonismo na construção de consensos. “A nostalgia não é uma estratégia”, declarou. 

Especialistas ressaltam que a África, pela primeira vez no comando do grupo, buscou reafirmar seu papel nas decisões globais — especialmente ao articular a União Africana como membro permanente, medida anunciada em cúpulas anteriores.

Ausência de Trump expõe tensões sobre a atuação do G20

A ausência do presidente Donald Trump foi um dos fatos políticos mais marcantes da reunião. A administração estadunidense acusou a África do Sul de priorizar temas que contrariam sua agenda, como cooperação climática e comércio multilateral.

Trump também anunciou que, ao assumir a presidência rotativa do G20 em 2026, pretende limitar a reunião a pautas estritamente econômicas, em contraste com a agenda ampla que caracteriza o fórum desde sua criação. 

A ausência foi acompanhada pela não participação do presidente argentino Javier Milei e da presidente mexicana Claudia Sheinbaum.

Para observadores, a estratégia de Washington buscou reduzir o peso político de uma cúpula marcada pela crescente influência de economias emergentes — um movimento destacado por líderes como o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o canadense Mark Carney.

Tensões internacionais e desafios futuros

O debate sobre o futuro do próprio G20 ganhou força durante o encontro. Emmanuel Macron sugeriu que o grupo “pode estar chegando ao fim de um ciclo”, em referência às divergências profundas sobre conflitos e governança global.

As divisões internas aumentaram com a guerra da Rússia na Ucrânia e o conflito entre Israel e Hamas, que continuam a dificultar declarações unificadas. Entretanto, analistas afirmam que a inclusão de países emergentes amplia a representatividade e reduz o impacto das ausências de líderes como Trump.

William Gumede, professor da Universidade de Witwatersrand, avaliou que a diversidade do grupo ofereceu “uma tábua de salvação ao multilateralismo”, permitindo que as negociações avançassem mesmo diante do boicote dos Estados Unidos.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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