O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou nesta quarta-feira (12) que a ausência dos Estados Unidos na cúpula do G20, marcada para 22 e 23 de novembro em Joanesburgo, não impedirá o avanço das discussões entre as principais economias do mundo. Washington decidiu não enviar representantes após divergências com Pretória sobre a agenda do encontro.
“Tomaremos decisões fundamentais, e a ausência deles é uma perda”, declarou Ramaphosa em entrevista à imprensa na Cidade do Cabo. Ele ressaltou que os Estados Unidos “abrem mão de um papel importante que deveriam exercer como maior economia do mundo”.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
A decisão foi anunciada no fim de semana pelo presidente Donald Trump, após semanas de tensão diplomática. O republicano acusou o governo sul-africano de conduzir um G20 “antiamericano”, em razão do tema central escolhido para a conferência: Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade.
O presidente da Argentina, Javier Milei, também não participará do encontro, seguindo o posicionamento de seu aliado e financiador político, Donald Trump. O governo argentino confirmou que o chanceler Pablo Quirno representará o país.
Embora não tenha apresentado justificativa formal, Milei tem reiterado alinhamento diplomático com Washington.
Relações tensas entre Pretória e Washington
As relações entre os dois países se deterioraram desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro. O republicano tem repetido alegações infundadas sobre suposta perseguição a agricultores brancos na África do Sul e criticado a política de ações afirmativas do governo sul-africano.
Em maio, Trump anunciou um programa de concessão de refúgio a africânderes, descendentes de colonos europeus, e enviou o primeiro grupo de 50 pessoas aos Estados Unidos em um voo fretado.
Washington também criticou Pretória por acionar Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ) e por manter leis que buscam reduzir as desigualdades raciais herdadas do apartheid.
Primeira cúpula do G20 em solo africano
A edição de 2025 do G20 será a primeira realizada na África desde a criação do grupo, em 1999. A África do Sul, atual presidente rotativa, pretende usar o encontro para priorizar pautas do Sul Global, como o fortalecimento da resiliência climática e o enfrentamento das dívidas em países em desenvolvimento.
Segundo Ramaphosa, a ausência dos Estados Unidos não impedirá decisões sobre temas cruciais, como o custo da dívida, considerado um dos principais obstáculos ao crescimento econômico nas nações emergentes.
“Boicotes nunca alcançam grandes impactos. As decisões serão tomadas e avançarão as discussões sobre esses temas”, afirmou.
Criado em 1999, o G20 reúne 19 países e duas organizações regionais — a União Europeia e a União Africana — representando cerca de 85% do PIB global e dois terços da população mundial.