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África do Sul diz que ausência dos EUA em cúpula do G20 é ‘perda deles’

Presidente Cyril Ramaphosa afirma que boicote norte-americano não impedirá decisões do fórum; Javier Milei, da Argentina, também não comparecerá
O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa discursa em uma coletiva de imprensa durante a Reunião de Ministros das Relações Exteriores do G20 no Nasrec Expo Centre, em Joanesburgo, em 20 de fevereiro de 2025.

O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa discursa em uma coletiva de imprensa durante a Reunião de Ministros das Relações Exteriores do G20 no Nasrec Expo Centre, em Joanesburgo, em 20 de fevereiro de 2025.

— Emmanuel Croset/AFP

13 de novembro de 2025

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou nesta quarta-feira (12) que a ausência dos Estados Unidos na cúpula do G20, marcada para 22 e 23 de novembro em Joanesburgo, não impedirá o avanço das discussões entre as principais economias do mundo. Washington decidiu não enviar representantes após divergências com Pretória sobre a agenda do encontro.

“Tomaremos decisões fundamentais, e a ausência deles é uma perda”, declarou Ramaphosa em entrevista à imprensa na Cidade do Cabo. Ele ressaltou que os Estados Unidos “abrem mão de um papel importante que deveriam exercer como maior economia do mundo”.

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A decisão foi anunciada no fim de semana pelo presidente Donald Trump, após semanas de tensão diplomática. O republicano acusou o governo sul-africano de conduzir um G20 “antiamericano”, em razão do tema central escolhido para a conferência: Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade.

O presidente da Argentina, Javier Milei, também não participará do encontro, seguindo o posicionamento de seu aliado e financiador político, Donald Trump. O governo argentino confirmou que o chanceler Pablo Quirno representará o país.

Embora não tenha apresentado justificativa formal, Milei tem reiterado alinhamento diplomático com Washington.

Relações tensas entre Pretória e Washington

As relações entre os dois países se deterioraram desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro. O republicano tem repetido alegações infundadas sobre suposta perseguição a agricultores brancos na África do Sul e criticado a política de ações afirmativas do governo sul-africano.

Em maio, Trump anunciou um programa de concessão de refúgio a africânderes, descendentes de colonos europeus, e enviou o primeiro grupo de 50 pessoas aos Estados Unidos em um voo fretado.

Washington também criticou Pretória por acionar Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ) e por manter leis que buscam reduzir as desigualdades raciais herdadas do apartheid.

Primeira cúpula do G20 em solo africano

A edição de 2025 do G20 será a primeira realizada na África desde a criação do grupo, em 1999. A África do Sul, atual presidente rotativa, pretende usar o encontro para priorizar pautas do Sul Global, como o fortalecimento da resiliência climática e o enfrentamento das dívidas em países em desenvolvimento.

Segundo Ramaphosa, a ausência dos Estados Unidos não impedirá decisões sobre temas cruciais, como o custo da dívida, considerado um dos principais obstáculos ao crescimento econômico nas nações emergentes.

“Boicotes nunca alcançam grandes impactos. As decisões serão tomadas e avançarão as discussões sobre esses temas”, afirmou.


Criado em 1999, o G20 reúne 19 países e duas organizações regionais — a União Europeia e a União Africana — representando cerca de 85% do PIB global e dois terços da população mundial.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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