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‘Missão climática’: jogo imersivo engaja estudantes na busca por soluções sustentáveis

Serão 200 kits distribuídos gratuitamente em escolas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia
Estudantes brincam com o jogo do projeto Missão Climática.

Estudantes brincam com o jogo do projeto Missão Climática.

— Divulgação/Missão Climática

30 de novembro de 2025

Um jogo imersivo do tipo escape game, em que os estudantes assumem papéis de diferentes agentes sociais e enfrentam desafios que abordam as causas estruturais da crise climática e seus efeitos. Essa é a proposta de Missão Climática: Jovens em Ação!, projeto desenvolvido em parceria pelas organizações ECOMOVE International (Alemanha), CIEDS e Redes da Maré, com financiamento da International Climate Initiative.

A iniciativa busca engajar jovens na luta contra as mudanças climáticas e as desigualdades socioambientais, incentivando o pensamento reflexivo e promovendo a educação climática no ambiente escolar. O projeto estimula a colaboração, mobilizando competências cognitivas e socioemocionais para formar jovens comprometidos com transformações concretas em seus territórios.

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“O Brasil sempre foi um dos países mais importantes na proteção climática internacional. É um dos países mais populosos, tem dimensões continentais e abriga o ecossistema mais importante do mundo”, afirma Michael Greif, responsável geral pelo projeto. “Na Alemanha, tivemos experiências muito boas com gamificação na educação e acreditamos que a educação para a sustentabilidade no Brasil se beneficiaria disso também. Os jovens simplesmente têm mais vontade de se envolver com temas complexos quando estes são apresentados de forma divertida e envolvente.”

Ele destaca que as mudanças climáticas afetarão mais fortemente a vida das gerações mais jovens. “Para muitos jovens, as mudanças climáticas podem ser assustadoras. Uma boa educação sobre o clima ajuda a compreender os fatos científicos e a identificar maneiras de atuar no problema, em vez de apenas sentir medo ou impotência. Além disso, a educação para o clima mostra como as próprias decisões (por exemplo, consumo, energia, mobilidade) estão diretamente relacionadas às consequências globais. Assim, os jovens aprendem a agir de forma responsável”, diz.

Greif ressalta que a adaptação do jogo para a realidade brasileira foi um processo muito interessante. “Percebemos que a discussão sobre as mudanças climáticas no Brasil é muito diferente da que ocorre na Alemanha. Além disso, os debates sobre as mudanças climáticas mudaram muito em todo o mundo desde que o jogo original foi lançado na Alemanha em 2020. Na época, por exemplo, as ‘Fake News’ não tinham tanta importância”, conta. “Por isso, acabamos desenvolvendo um jogo praticamente novo que, acredito, consegue retratar muito bem a realidade brasileira e, ao mesmo tempo, engajar e divertir.”

Durante a partida, os estudantes vivenciam o papel de diversos agentes sociais e são desafiados a lidar com as causas e consequências da crise climática, buscando soluções sustentáveis em grupo e de forma colaborativa. Ao longo do jogo, refletem sobre justiça ambiental, impactos desiguais do aquecimento global e a importância das decisões coletivas para evitar o colapso climático.

Foto: Divulgação/Missão Climática

Além do jogo, o projeto oferece o Guia Prático para Docentes, com atividades interdisciplinares alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O objetivo é fomentar uma rede de educadores e instituições que utilizam jogos como ferramenta de aprendizagem. A iniciativa inclui ainda uma futura publicação sobre o potencial dos jogos na educação para a sustentabilidade no Brasil.

“O Brasil enfrenta uma série de desafios estruturais, como a desigualdade social, a pobreza e o desemprego, que são agravados pela crise climática. A degradação ambiental, o esgotamento dos recursos e o próprio aquecimento global afetam diretamente a qualidade de vida das pessoas, em especial, das pessoas mais pobres. Essa realidade demanda uma atuação integrada, que una políticas e estratégias ambientais e sociais – e é fundamental o protagonismo juvenil como ferramenta para a construção de soluções para a crise climática”, coloca Fábio Muller, Diretor Executivo do CIEDS.

Andréia Martins, diretora da Redes da Maré, reforça que os problemas climáticos em favelas e periferias são fruto também das desigualdades que marcam esses territórios. “Faltam políticas ambientais pensadas para as regiões populares do país, lugares que sofrem com enchentes ou ilhas de calor, entre outros problemas graves. Daí a importância de incluir os jovens nas discussões para a busca de soluções”.

A fase piloto do projeto prevê a produção de 200 kits gratuitos, cuja distribuição começou em novembro de 2025 e segue até o primeiro trimestre de 2026, contemplando escolas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. Para saber mais sobre o projeto, acesse o site.

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