O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, acusou os Estados Unidos de difundir “desinformação flagrante” sobre o país. Em pronunciamento televisivo na noite de domingo (30), Ramaphosa respondeu às alegações do governo norte-americano, que citou supostos ataques a pessoas brancas como motivo para não participar da cúpula do G20 em Joanesburgo.
“Os motivos que os EUA apresentaram para sua não participação foram baseados em alegações infundadas e falsas de que a África do Sul comete genocídio contra africâneres e confisca terras de pessoas brancas”, declarou o presidente na rede SABC. “Esta é desinformação flagrante sobre nosso país.”
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Ramaphosa atribuiu a postura de Trump a uma “campanha sustentada de desinformação por grupos e indivíduos dentro de nosso país, nos EUA e em outros lugares”. Ele alertou que esses agentes “colocam em perigo e minam os interesses nacionais da África do Sul, destroem empregos sul-africanos e enfraquecem as relações de nosso país com um de nossos parceiros mais importantes”.
O presidente sul-africano afirmou, no entanto, que o país está disposto a “continuar a dialogar com o governo dos Estados Unidos, e a fazê-lo com respeito e com dignidade, como países soberanos e iguais”.
Contexto das declarações
O pronunciamento de Ramaphosa é uma resposta direta às ações e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas últimas semanas. Trump repetiu alegações falsas sobre um “genocídio branco” na África do Sul. Ele também usou como justificativa a recusa do presidente sul-africano em transferir simbolicamente a presidência do G20 para os EUA durante a cúpula de Joanesburgo.
A tensão se agravou quando Trump anunciou que não convidaria a África do Sul para a próxima reunião do G20, que ele planeja sediar em um campo de golfe de sua propriedade em Miami, em 2026. Os Estados Unidos também boicotaram a cúpula em Joanesburgo.
A desinformação sobre suposto genocídio não é o único ponto de conflito. Washington impôs tarifas de 30% sobre produtos sul-africanos, as mais altas da África Subsaariana.
Outra fonte de discordância é o processo movido pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça, em que acusa o Estado israelense de genocídio em Gaza, uma posição que contrasta com o apoio tradicional dos EUA a Israel.
A relação bilateral se deteriorou de forma marcante desde o retorno de Trump à Casa Branca em janeiro, com o governo sul-africano lamentando que os esforços para redefinir a parceria diplomática tenham sido frustrados por “medidas punitivas baseadas em desinformação”.