A África do Sul contestou a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que não convidará o país para a cúpula do G20 marcada para 2026, em Miami. O governo sul-africano afirma que a decisão viola os princípios do grupo, contraria normas multilaterais e configura ação punitiva motivada por divergências políticas recentes.
A declaração de Trump foi formalizada após a edição provisória da lista de países que receberiam convite para a cúpula. Segundo ele, a África do Sul representa “instabilidade” e “desvio de valores”, justificativas consideradas infundadas por Pretória.
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Em resposta, o governo sul-africano destacou que os Estados Unidos não têm poder unilateral para excluir membros permanentes do G20. A chancelaria classificou a medida como incompatível com os princípios de governança consensual que regem o grupo e lembrou que a coordenação da cúpula exige consulta prévia a todos os integrantes.
Pretória afirma que a atitude não corresponde às responsabilidades previstas para um país anfitrião, que deve garantir participação plena de todos os membros do bloco. O governo acrescentou que a possível exclusão comprometeria a credibilidade do mecanismo e criaria precedente perigoso para outras cúpulas.
Contexto político e acusações de retaliação
A tensão entre os dois países se intensificou desde que Trump retornou à Casa Branca em janeiro. O governo sul-africano lamentou que, “apesar dos esforços e das numerosas tentativas do presidente Ramaphosa e de sua administração para redefinir a relação diplomática com os EUA, o presidente Trump continue a aplicar medidas punitivas contra a África do Sul com base em desinformação e distorções sobre nosso país”.
Trump promoveu alegações falsas sobre um “genocídio branco” na África do Sul.
Em sua rede social, Truth Social, Trump citou o que chamou de “espantosos abusos aos direitos humanos contra os africâneres” como motivo para a exclusão. Ele também se referiu à recusa do presidente Cyril Ramaphosa em transferir simbolicamente a presidência do G20 para os EUA no final da cúpula de Joanesburgo.
Os países também divergem em outras frentes. Washington impôs tarifas de 30% sobre produtos sul-africanos, as mais altas da África Subsaariana. Outro ponto de discórdia é o processo movido pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça, no qual acusa o país de genocídio em Gaza.
O presidente estadunidense também afirmou que a presença da África do Sul colocaria em risco a “segurança e a integridade” da cúpula, mas não apresentou detalhes. O governo sul-africano vê na declaração um movimento de retaliação política, especialmente após Pretória reforçar posições independentes em fóruns multilaterais.
Em nota, a África do Sul classificou a ameaça como tentativa explícita de punição. O governo declarou que não aceitará coerção política e continuará participando do G20 como membro pleno, independente das decisões unilaterais do anfitrião.
Também foi destacado que os Estados Unidos devem cumprir obrigações formais do mandato de país-sede, que incluem respeito às regras internacionais e garantia de acesso equitativo aos membros. Para o governo sul-africano, negar convite, a qualquer integrante, contraria todo o desenho institucional do grupo.