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M23 avança no leste da RD Congo após tomar Uvira; EUA prometem ação contra Ruanda

Grupo armado, acusado de ter apoio ruandês, tomou a cidade estratégica de Uvira e segue em ofensiva, violando acordo de paz mediado pelos Estados Unidos e elevando risco de guerra regional
Uma viatura da patrulha M23 faz ronda em Uvira, em 13 de dezembro de 2025.

Uma viatura da patrulha M23 faz ronda em Uvira, em 13 de dezembro de 2025.

— Jospin Mwisha/AFP

15 de dezembro de 2025

O grupo armado M23 manteve a ofensiva no leste da República Democrática do Congo (RDC) no último sábado (13), poucos dias após a assinatura de um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos entre Kinshasa e Kigali. O movimento ocorre depois da tomada de Uvira, cidade fronteiriça com o Burundi, capturada na quarta-feira (10), e amplia o risco de expansão regional do conflito.

O acordo, firmado em Washington em 4 de dezembro, foi apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um passo para encerrar décadas de instabilidade no leste congolês. Trump é um dos maiores interessados nos minerais estratégicos no território democrático-congolês

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Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, Ruanda violou os compromissos assumidos ao manter apoio ao M23. Em publicação na rede X (ex-Twitter), Rubio afirmou que Washington adotará medidas para garantir o cumprimento do tratado.

O chefe das operações de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), Jean-Pierre Lacroix, alertou que o avanço do M23 reaviva o risco de um conflito regional com consequências amplas e levanta a possibilidade de fragmentação territorial da RDC, sobretudo em sua porção oriental

Importância estratégica de Uvira

Com a tomada de Uvira, o M23 passou a controlar a fronteira terrestre da RDC com o Burundi, o que limita o apoio militar de países vizinhos ao governo congolês. A cidade fica às margens do lago Tanganica, em frente à capital econômica burundesa, Bujumbura, área considerada sensível para a segurança regional.

Após a captura de Uvira, o grupo avançou para o oeste e assumiu o controle de Kipupu, centro administrativo do setor de Itombwe, sem resistência, depois da retirada de tropas burundesas. A ofensiva integra uma operação lançada no início de dezembro na província de Kivu do Sul, que já havia registrado a queda de Goma e Bukavu ao longo do ano.

Ao sul de Kipupu, combatentes do M23 entraram em confrontos com milícias locais alinhadas ao governo congolês nas áreas elevadas próximas a Fizi e Baraka. As cidades passaram a enfrentar a possibilidade de avanço conjunto do M23 com aliados da milícia Twirwaneho, que atua na região.

Fontes militares do Burundi informaram que milhares de soldados burundeses ficaram cercados após a queda de Uvira e receberam ordem de recuo em direção a Baraka. Durante a retirada, grupos da Twirwaneho passaram a assediar as tropas, que enfrentam dificuldades logísticas e falta de reabastecimento de munição.

Apoio de Ruanda e alerta internacional

Nas Nações Unidas, o Burundi eleva o tom e adverte Ruanda. “A moderação tem limites. Se esses ataques prosseguirem, a escalada direta entre nossos dois países se torna difícil de evitar. O Burundi não tolera violações repetidas de sua integridade territorial e reserva o direito de usar a legítima defesa, conforme o artigo 51 da Carta das Nações Unidas.”

O embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, acusou Ruanda de “levar a região a mais instabilidade e à guerra”. Waltz disse ao Conselho de Segurança da ONU que as forças de defesa de Ruanda forneceram material, logística e treinamento ao M23. Ruanda também combate ao lado do M23 na RDC com cerca de 5 mil a 7 mil soldados. O poder de fogo de Ruanda incluiu mísseis terra-ar, drones e artilharia.

Desde a retomada das armas em 2021, o M23 tomou faixas de território, o que leva a uma crise humanitária. Mais de 200 mil pessoas, a maioria civis, foram deslocadas pelos combates. Especialistas da ONU relatam que o exército de Ruanda e o M23 realizaram execuções sumárias e deslocamentos forçados de pessoas na região.

Ruanda nega o fornecimento de apoio militar ao M23. O país alega enfrentar uma ameaça existencial da presença, na fronteira congolesa, de militantes hutus com ligações ao genocídio tutsi de 1994.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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