O Instituto Cultural Steve Biko (ICSB) recebeu, na terça-feira (16), o 2º Prêmio Luiz Gama, em cerimônia realizada na sede do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). A condecoração reconhece cidadãos e organizações públicas ou privadas que prestam serviços à sociedade, com ênfase na promoção e defesa dos direitos humanos.
Durante o evento, o estudante Igor dos Santos Souza e o fundador e presidente de honra do instituto, Sílvio Humberto, participaram da solenidade que marcou o reconhecimento público ao trabalho desenvolvido pela instituição ao longo de mais de três décadas.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O desembargador Lidivaldo Reaiche Brito, presidente da Comissão Permanente de Igualdade, Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos Humanos (CIDIS) do TJBA, afirmou que a premiação representa “uma alegria imensa”.
Ele destacou o reconhecimento do “papel e do trabalho do Instituto Steve Biko que, desde a década de 1990, vem oferecendo aos jovens negros carentes um curso preparatório, permitindo que centenas deles pudessem ingressar no ensino superior“.
A presidente do TJBA, desembargadora Cynthia Resende, declarou que a “merecida honraria, que leva o nome do maior abolicionista do Brasil, só poderia ser concedida a uma instituição diversa”. Ela ressaltou que o prêmio sintetiza “a luta pela plena igualdade de direitos entre brasileiros” e consagra “uma fonte de inspiração potente”.
Fundador e estudante definem o impacto do instituto
O vereador de Salvador Sílvio Humberto (PSB-BA), também fundador e presidente de honra do ICSB, celebrou a homenagem. “O Instituto Steve Biko, ao colocar a universidade como um sonho possível, possibilitou que milhares de pessoas desfrutassem desse trabalho. Hoje, a Biko tem filhos e filhas em todos os lugares”, afirmou. Ele acrescentou que é “uma grande honra receber essa homenagem tendo como ícone Luiz Gama“, segundo nota do TJBA.
O estudante Igor dos Santos Souza definiu o trabalho da instituição como “um barco em meio ao tsunami do vestibular”. Ele destacou que o instituto “surge justamente com essa porta de saída, como essa oportunidade de educação, socialização e aprendizado”. Para Souza, a Biko “transcende as nossas questões educacionais, mas vai para um âmbito mais social e de acolhimento”.
O instituto, que carrega o nome do líder sul-africano anti-apartheid Steve Biko, desenvolve diversas atividades que já resultaram em políticas públicas para o combate às desigualdades raciais. A instituição é reconhecida por principais entidades e movimentos sociais do Brasil.
A cerimônia de entrega do prêmio contou também com a palestra “Novos Documentos sobre a Infância de Luiz Gama na Bahia”, apresentada pela pesquisadora Lisa Earl Castillo.